Inception - Christopher Nolan - 2010

- Why is it so important to dream?
- Because, in my dreams we are together.

















Realidade virtual, dream within a dream, o tema não é novo e Nolan cai na tentatação de utilizar os truques mainstream e a paixão pelos écrans verdes.
O talento e a estética estão presentes, mas talvez Nolan devesse olhar mais para Tarkovski e menos para Matrix.
Apela aos sentidos e não às emoções.

Do you know what it is to be a lover? Half of a whole?

The Prestige - Christopher Nolan - 2006


- Do you have anything to say?
- Abracadabra.


















Pela sua frieza Nolan lembra Kubrick, as emoções não são tema para o seu cinema.
Nolan é cerebral, trabalha a mente do espectador como um ilusionista.
Visualmente bem conseguido The Prestige define Nolan como um dos melhores cineastas da sua geração.
Tesla é agora uma estrela pop.
Are you watching closely?

The Life and Death of 9713: a Hollywood Extra - Robert Florey, Slavko Vorkapich - 1927




















Uma sátira a Hollywood com muito talento e imagens a lembrar Citizen Kane.
Muito mais do que uma curiosidade.

Eyes Without a Face - Georges Franju - 1959

The future, Madame, is something we should have started on a long time ago. 


















Além de Billy Idol, Almodovar inspirou-se em Franju para o seu La Piel que Habito.
O filme é mais lento que o necessário, o ritmo não cria tensão, apena prolonga um argumento pouco extenso.
A máscara e o horror da cirurgia fazem de Eyes Without a Face um filme marcante mas Franju não teve talento para mais.

036 - Juan Fernando Andrés, Esteban Roel - 2011















Um excelente exemplo de como ainda se podem fazer curtas com qualidade e impacto.
O western spaghetti da burocracia.

Meshes of the Afternoon - Maya Deren, Alexander Hammid - 1943




















David Lynch deve muito a Maya Deren.
Maya renova o surrealismo no cinema com maior influência da psicologia, e maior fluidez estética.
Um dos raros momentos de audácia no cinema americano dos anos 40.
Memórias: subida das escadas
Inspirador.

The House is Black - Farough Farrokhzad - 1963

I said, if I had wings of a dove I would fly away and be at rest. I would go far away and take refuge in the desert. I would hasten my escape from the windy storm and tempest. For I have seen misery and wickedness on Earth. 


















Um documentário extraordinário de uma mulher extraordinária.
O mundo por vezes é um lugar feio, mas Farough mostra-nos que mesmo nos recantos mais escuros pode existir luz.

Inside Llewyn Davis - Coen - 2013

I'm tired. I thought I just needed a night's sleep but it's more than that.
















A grown man with a cat.
Greenwich Village no início dos anos 60, música Folk, e um gato.
Obrigado Pitufo.

Interstellar - Christopher Nolan - 2014

I'm not afraid of death. I'm afraid of time.


















Parecia evidente que um ambiente tipo 2001 surgiria no caminho de Nolan.
Nolan sempre foi um realizador frio, perfeito para filmar 'green screens', melhor argumentista que realizador e aqui cede demasiado aos diálogos pseudo-cientificos e aos "Será que conseguem?" típicos do género.
Ao contrário de Inception, The Prestige ou Memento aqui não há grandes surpresas, muita banalidade e muita técnica para nos dar apenas um momento de rara emoção, quando Cooper vê as mensagens do filho, quando as lágrimas aparecem no cinema artificial e frio de Christopher Nolan.

Splendor in the Grass - Elia Kazan - 1961

Though nothing can bring back the hour of splendor in the grass.

   


















Não consegui chegar ao fim na primeira vez, a minha mãe não deixou: "Não é para a tua idade!"
Não era, não estava a compreender, durante muitos anos o descontrolo emocional numa banheira era um final antecipado que estava por explicar.
Os tempos mudaram, mas o tema ainda é relevante, a abordagem é que talvez esteja um pouco datada.
Splendor in the Grass faz todo o sentido na obra de Elia Kazan, um dos primeiros autores a trazer a adolescência para o cinema.

Carandiru - Hector Babenco - 2003

















Depois de uma visita à Prisão de Viana em Luanda vi Carandiru para me ajudar a compreeder aquele mundo.
Um mundo feito de olhares desconfiados, gritos entre as grades, roupas penduradas nas janelas, ódios escondidos e violência adiada.
Voltamos diferentes, e para quem não pode ir a Viana deve ver Carandiru abdicando do conforto da ficção.

Sex, Lies, and Videotape - Steven Soderbergh - 1989

- You're in therapy?
- Aren't you? 




















O filme que fez explodir o cinema independente nos EUA.
Muita originalidade, que esconde alguns diálogos menos conseguidos e outros pequenos defeitos. Gosto.
Memórias: o diálogo fora da imagem, mesmo sem ligação, permite acelerar a acção e aumentar a atenção do espectador. 
Soderbergh consegue um filme fundamental na minha geração mas prometia mais do que cumpriu.
You're right, I've got a lot of problems... But they belong to me.

The Devil is a Woman - Josef Von Sternberg - 1935

Kiss me .. and I'll break your heart! 



















Der blaue Engel revisitado.
Marlene domina o écran com um misto de sensualidade e crueldade que os homens tão bem conhecem.

An American in Paris - Vincente Minnelli - 1951

Because the more beautiful everything is...
...the more it'll hurt without you.
 


















Uma das dificuldades que tenho com os musicais é que... têm demasiada música e demasiada dança.
Memórias: o desenho e a descida das escadas
An American in Paris é um dos melhores exemplos do género.

The Stranger Left no Card - Wendy Toye - 1952




















Uma pequena maravilha, descoberta surpreendente!
Vinte e três minutos de magia.

The Grand Budapest Hotel - Wes Anderson - 2014

I've never trusted that butler. He's too honest.


















Ainda não aceitei Wes Anderson.
Esteticamente deixa a sua marca, apesar de relembrar Jean-Pierre Jeunet, e as personagens são fantásticas.
O argumento é bem contruído, o humor servido com delicadeza, mas tudo parece andar à deriva, sem qualquer emoção que suporte as personagens ou as acção.
Uma sensação de vazio.

The Royal Tenenbaums - Wes Anderson - 2001

- I wrote a suicide note.
- You did?
- Yeah. Right after I regained consciousness. 




















A estética de Wes Anderson (ex. fatos de treino vermelhos) funciona, mesmo se eu não consigo explicar porquê.
O humor é algo súbtil que por vezes lembra os irmãos Marx pelo absurdo.
Muita personalidade do realizador mas apesar de tudo um pouco frio e distante.

Dead Poet's Society - Peter Weir - 1989

Two roads diverged in the wood and I, I took the one less traveled by, and that has made all the difference.















Um dos filmes que marcou a minha geração.
A maioria esqueceu a poesia entratanto mas por momentos alguns jovens foram poetas.
Como sempre, muito poucos leram a frase até ao fim...
Carpe Diem quam minimum credula postero.

Picnic at Hanging Rock - Peter Weir - 1975

What we see and what we seem are but a dream, a dream within a dream.



















Quando penso em Picnic at Hanging Rock surge uma imagem, Peter Weir a rir-se de nós.
«I did everything in my power to hypnotize the audience away from the possibility of solutions.» - As conclusões encontram-se em nós mais do que no filme.
A beleza das imagens é a única certeza, o vazio é sugestivo.

Lilika - Branko Plesa - 1970

Will you ever be a good girl like other girls?



















E os pais, seriam eles bons pais como os outros pais?
A história de Lilika é igual a tantas outras, infâncias cercadas de vícios, violência, ócio e desinteresse.
O filme vale sobretudo pela sensação de que basta olhar os olhos verdes de Lilika para saber tudo sobre ela, e esse é o mérito de Branko Plesa.

Kes - Ken Loach - 1969

C'mon Kes! 
 
















Kes é a obra maior do realismo britânico.
Uma viagem às infâncias e futuros perdidos.

The Childhood of Maxim Gorky - Mark Donskoi - 1938

Now, in recalling the past, I myself find it difficult to believe, at this distance of time, that things really were as they were.


















 


Demasiado político, o tema nem sequer é Maxim Gorky. Gorky é utilizado como símbolo.
Donski faz um retrato expressivo da sociedade russa, mas acaba por secumbir ao poder da mensagem sobre o cinema. Resta a riqueza das personagens.

Fanny and Alexander - Ingmar Bergman - 1982

- If there is a god, then he's a shit, and I'd like to kick him in the butt.
- Your theory is very interesting and appears to be justified.




Como admirador da obra de Bergman, Fanny and Alexander é decepcionante.
Falta aqui a mestria de Bergman no uso da luz nos filmes a preto e branco, subtituída por uma composição demasiado elaborada e demasiado colorida (ganha algum sabor no contraste da casa despida do bispo).
Falta a clareza (deixar as palavras e ideias respirarem) que aprecio nos seu filmes mais modestos.
Resumindo, penso que o formato claramente televisivo continua sem funcionar para mim, mesmo com Bergman ao leme.

L’Argent - Robert Bresson - 1983

I want happiness now, on my terms. 

















Com Bresson estamos sempre preparados para a tragédia, mas talvez nunca tão violenta nem com tanto simbolismo.
No seu último filme Bresson não abdica do minimalismo nem da passividade das personagens.
O destino, consequência da sociedade que rodeia a personagem, desenrola-se naturalmente como se fosse inevitável. 
Podemos talvez concluir que o que Bresson nos diz é que temos que mudar (ao contrário do que acontece nos seus filmes) ou aceitar as consequências.

Mouchette - Robert Bresson - 1967


























Os irmãos Dardenne certamente foram buscar Rosetta a Mouchette.
Mouchette é a vítima mas Bresson dedica-se sobretudo ao mundo que a rodeia, onde não faltam culpados. 
Culpados sem desculpas pois aqui não é o mundo que é cruel e não são as circunstâncias que definem os destinos.
No seu jeito naturalista Bresson consegue dar profundidade ao filme, num território que lhe é apropriado.
Mouchette e Rosetta representam o sofrimento muitas adolescentes, e estão merecidamente entre as grandes heroinas do cinema.

Jeux Interdits - René Clément - 1952














A WWII tinha acabado à pouco tempo e Jeux Interdits fala-nos das dificuldades que as crianças podem ter em lidar com realidades tão duras como essa.
O tema não é fácil e apesar de nem sempre ser competente René Clément foi eficiente, e conseguiu chegar onde era necessário.

The Red Balloon - Albert Lamorisse - 1955





















Poucos filmes conseguem capturar a inocência da infancia como Le Ballon Rouge.
A simplicidade é eficaz e o contraste do vermelho do balão com cinzento azulado das ruas molhadas maravilhoso.
Entre o vulgar gang de miúdos a cena do encontro com o sexo oposto é especialmente ternurento.

Swing Time - George Stevens - 1936

Nothing's impossible I have found,
For when my chin is on the ground,
I pick myself up, 

Dust myself off,
Start All over again.


Tudo começou comigo nos westerns e a minha irmã no Fred Astaire e Ginger Rogers.
Memórias: Marina
Na verdade sei que não me entusiasma, a dança não é a minha praia, mas tem o doce sabor das tardes de domingo.

Pather Panchali - Satyajit Ray - 1955

When I'm better, we'll go and look at the trains again. We'll get a good look this time. 




















Song of the Little Road foi produzido ao longo de quase 5 anos por amadores.
Um hino à coragem e ao sonho num retrato de uma India que ainda hoje existe.
Considero um pouco sobrevalorizado e a ainda não me apaixonei pelo cinema de Satyajit Ray mas a nação de Bollywood merece um filme como Pather Panchali.

Moonfleet - Fritz Lang - 1955

















 

O filme mais subvalorizado de Lang.
Encontro no Tesouro do Barba Ruiva as histórias de piratas da minha infância, histórias regadas com rum, onde assombram cemitérios e pernas de pau.
A artificialidade de Moonfleet parece incomodar, mas encaixa maravilhosamente no meu mundo imaginado.

To Kill a Mockingbird - Robert Mulligan - 1962

You never really understand a person until you consider things from his point of view... Until you climb inside of his skin and walk around in it..

















To Kill a Mockingbird, primeiro o livro depois o filme, contribuiu modestamente para a conquista dos direitos sociais nos EUA, mas com bastante mérito.
Quanto ao filme, destacam-se os actores (nomeadamente a pequena Scout) mas é demasiado polido para o meu gosto.