Alphaville - Jean-Luc Godard - 1965

"We are totally alone here we are unique dreadfully unique."



















Alphaville partilha o universo de Huxley, Orwell, 2001 ou mesmo o Welt am Draht de Fasssbinder. Critica a ciência e a lógica desligadas da emoção, salva o universo pela poesia e faz-nos acreditar que Paris dos anos 60 podia ser o futuro centro da galáxia com mais verosimilhança do que os efeitos especiais habituais nestas circunstancias.
Mistura interessante com os filmes noir de série B, incluindo corajosas imperfeições técnicas que só ajudam a valorizar a originalidade de Godard.
Memórias: AVAC, Dicionário/Biblia, "Why"
Por vezes parece demasiado frio, demasiado cerebral, mas, como nós, Anna Karina acaba por aprender uma nova frase: "Je vous aime!"

La Jetée - Chris Marker - 1962

"Time builds itself painlessly around them."
Surpreendente história futurista.
Trinta minutos de imagens estagnadas que estimulam inesperadamente a nossa imaginação. Um filme muito à frente do seu tempo.
Memórias: o olhar de uma mulher na plataforma do aeroporto
Chris Marker foi um dos mais misteriosos realizadores do cinema, nunca deu entrevistas e raramente foi fotografado. Morreu hoje.

Au Revoir Les Enfants - Louis Malle - 1987

- You scared?
- All the time.













 



Uma doce e cruel memória de infância.
Olhares e silêncios mostram uma crueldade escondida mas talvez por isso ainda mais intensa.
Memórias: Raphael Fejtö e Gaspard Manesse
Apesar de todo o cuidado e talento de Malle na realização e do poder emocional natural nesta temática é difícil colocar Au Revoir ao nível de Zéro de Conduit ou Les Quatre Cent Coups no tratamento de um ambiente similar.

Ballet Mécanique - Fernand Léger, Dudley Murphy - 1924























Um dos primeiros filmes experimentais, que explora no cinema o dadaísmo e o cubismo.
Apenas uma curiosidade.

Les Mystères du Château du Dé - Man Ray - 1929
















Estreou a par de Un Chien Andalou.
Filmado em estilo documental, mais concreto do que o normal em Man Ray.
O filme mais longo de Ray acrescenta muito pouco à sua obra.

Emak-Bakia - Man Ray - 1926





















Leave me Alone em basco.
Cinepoema, surreal, numa década em que a loucura era arte.

Le Retour à la Raison - Man Ray - 1923


























Man Ray, figura central do dadaísmo, chamava-se Emmanuel Radnitzky.
Fotogramas (cameraless photography) e o corpo de Alice Prin, figura emblemática dos anos 20 em Paris.

The Marriage of Maria Braun - Rainer Werner Fassbinder - 1979

"I prefer making miracles than waiting for them."
A história de Maria, ou da Alemanha do pós-guerra, é indiferente.
É dificil entrar no mundo de Fassbinder, mas é fácil ficar fascinado.
Memórias: a construção da personagem de Maria, começa e acaba com a explosão de uma bomba.
O mundo visto pelo olhar de Fassbinder é certamente diferente do nosso.
Apenas mais um genial trabalho de Fassbinder. 

Up in the Air - Jason Reitman - 2009

I'm like my mother, I stereotype. It's faster. 















Reitman reduz-se à banalidade, Juno foi apenas um momento de sorte.
O argumento não é mau mas falta vontade de fazer mais.

Un Chant d’Amour - Jean Genet - 1950





















Jean Genet foi uma personagem incomum na vida e na arte.
Ultrapassando a natureza homossexual é possível ver poesia.
Memórias: A mão que não agarra as flores, banda sonora de Simon Fisher-Turner, poster de Carne Tremula de Almodovar.

Une nuit sur le mont chauve - Alexander Alexeieff, Claire Parker - 1933




















Pinscreen animation ao som de Mussorgsky.
Vale sobretudo pela inovação técnica.

A Chairy Tale - Norman McLaren - 1957













Uma curiosa dança filosófica.
O meu preferido entre os trabalhos de McLaren.

Neighbours - Norman McLaren - 1952

Love your Neighbour!




















Um bom exemplo da utilização de pixilation, mas sobretudo uma boa fábula.

Begone Dull Care - Norman McLaren - 1949




















Demasiado abstracto para mim mas um marco interessante na fusão entre cinema, artes plásticas e a música de Oscar Peterson.

The Bespoke Overcoat - Jack Clayton - 1955













Baseado num texto de Gogol lembra-me o espírito de Dickens.
Clayton e os actores são admiravelmente competentes, mas o argumento é demasiado curto para a duração do filme.
Memórias: a sombra do empregador e a expressividade nos olhares.

Inferno - Dario Argento - 1980

"How can you be so sure?"














Dario Argento criou um cinema personalizado, distante do meu gosto pessoal, mas que fez escola até aos dias de hoje.
Memórias: As mãos de Dario
Mario Bava e Dario Argento são os mestres do terror de série B europeu.

Groundhog Day - Harold Ramis - 1993

"What would you do if you were stuck in one place and every day was exactly the same, and nothing that you did mattered?"



Algures entre uma comédia romântica ridícula e uma obra-prima desse mesmo género.
A premissa do argumento origina por si inúmeras possibilidades fantásticas, e são bem aproveitadas.
Memórias: Também quero!
Bill Murray é brilhante no seu ambiente natural, Ramis inconsequente.

Dial M for Murder - Alfred Hitchcock - 1954

"People don't commit murder on credit."

















Seria curioso ver a versão 3D de Dial M for Murder, mas não me parece que acrescente muito a um filme que, apesar de não contradizer o génio de Hitchcock, pouco acrescenta à sua obra.
Memórias: Grace Kelly in a nightgown.
Hitchcock também tem direito à banalidade.

Gertie the Dinosaur - Winsor McCay - 1914


Uma das primeiras animações, o Jurassic Park do incio do século passado.
Brilhante.

The Cameraman’s Revenge - Wladyslaw Starewicz - 1912



Inovador, curioso, imaginativo.


Os primeiros passos do Stop-Motion.

The Sixth Sense - M. Night Shyamalan - 1999

"I see dead people."












Quando todo o argumento se baseia num simples equívoco, é impossivel sobreviver à primeira visualização.
Memórias: Honeywell
O trabalho de Shyamalané demasiado simplista.

Irma Vep - Olivier Assayas - 1996

"Now she's throwing her into my bed! Just to screw things up"


 




















Usando a técnica do film-within-a-film, justificada por um remake de  Les Vampires de Louis Feuillade, Assayas apresenta uma visão crítica do cinema francês pós Nouvelle Vague.
Memórias: Maggie Cheung & Leather
Alguns momentos interessantes mas manifestamente insuficientes.

Thelma and Louise - Ridley Scott - 1991

Think you found you calling?
Um road movie no feminino.
Os temas habituais, aventura, o azar, perder o controlo, descobrir o sentido da vida, companheirismo... mas com duas mulheres.
Memórias: a importância do last frame
Nada de revelador nem especialmente enriquecedor para a obra de Ridley Scott, mas sempre são duas horas de boas sensações.

Stalker - Andrei Tarkovsky - 1979

"My conscience wants vegetarianism to win over the world. And my subconscious is yearning for a piece of juicy meat. But what do I want?"
A "zona" poderá ser apenas a vida, o perigo é dado como garantido, andamos todos à procura não sabemos bem do quê, e mesmo no final, nada nos é explicado.
Memórias: A infinita beleza das imagens
A temática e a beleza das imagens deTarkovky lembram-me Mallick.
Os dois parecem estar sempre próximo do mais belo filme de sempre, sem nunca o conseguirem.

Duelle - Jacques Rivette - 1976

Une Quarantaine



Um filme obscuro dos anos 70.
Uma exploração Noir e sobrenatural do universo feminino.
Uma atmosfera particular em que o enredo e as personagens parcem frias, perdidas como nós, onde a atmosfera criada por Rivette é a principal protagonista.
Duelle e Rivette ainda são um mistério para mim e aguardam o meu regresso.

Who Framed Roger Rabbit? - Robert Zemeckis - 1988

"You don't know how hard it is being a woman looking the way I do."
















O Chinatown da BD, irrepreensível.
Memórias: Jessica Rabbit/Veronica Lake
Zemeckis bem ao jeito dos anos 80.

Sleepy Hollow - Tim Burton - 1999

"Villainy wears many masks, none of which so dangerous as virtue..."














 

Visualmente brilhante e bem acompanhado pela banda sonora de Danny Elfman, Sleepy Hollow sobrevive bem à falta de substancia do argumento.
Memórias: a escuridão da noite.
Nada acrescenta à obra de Tim Burton.


From Dusk Til Dawn - Robert Rodriguez - 1996

"Fight now, cry later."















 
Apesar do talento da escrita de Tarantino, da personalidade forte de Rodriguez e do início prometedor tudo se perde no devaneio gore, onde nada parece ter razão de existir.
Memórias: Muito sangue e pouco cinema.
Rodriguez, Tarantino e Clooney fariam bem melhor no futuro.

Space Cowboys - Clint Eastwood - 2000

"I'm an engineer! I stopped running when Nixon was president!"
















 
Linear e previsível, apenas faz sentido para satisfazer a nostalgia americana.
Memórias: Lembra uma nova versão de "Ride the High Country"
Apesar de alguns momentos divertidos não deixa de ser constrangedor para um realizador com o estatuto de Eastwood.

Strangers on a Train - Alfred Hitchcock - 1951

"I admire people who do things."

O encontro inicial é magistral, o diálogo e a representação constroem um dos melhores momentos de toda a obra de Hitchcock. Construção contínua de suspense, ex. isqueiro na sarjeta.
Memórias: assassínio nos óculos, Robert Walker, planos inclinados.
Um dos meus preferidos de Hitchcock.

The Pleasure Garden - Alfred Hitchcock - 1925

"How do you like that - Cuddles knew all the time!"

Não morre ninguém? Hum... apenas no final temos um ar de Hitchcock.
No ano de Potemkin e The Gold Rush, o mestre ainda é aprendiz.
Memórias: uma sombra na parede, smoking forbidden
O primeiro de Hitchcock. Boring!