No Country for old man - Coen - 2007

"I don’t wanna face something I don’t understand…”

O filme mais negro dos Coen. Argumento construído de forma pouco usual mas brilhante.
Memórias: Anton similar ao The Terminator, ‘toss a coin’
Não é o meu preferido dos Coen, nem o melhor da dupla, mas certamente um dos melhores da década.

Mighty Aphrodite - Woody Allen - 1995

"I see disaster. I see catastrophe. Worse, I see lawyers!"

Diálogos alucinantes, óptimos actores e um universo ficcional riquíssimo garantem sempre um bom filme para Woody Allen, mas por vezes fica a sensação que nada acrescentam em relação ao que já vimos, e em Mighty Aphrodite isso acontece.
Memórias: Par Mira Sorvino e Woody
Claramente dos menos preferidos...

Raiders of the Lost Ark - Steven Spielberg - 1981

" You Americans, you're all the same. Always overdressing for the wrong occasions."

Tinha 8 anos e era o melhor cinema que imaginava. Arte? Arte eram os livros.
Memórias: Anos 30, aventura, herói
Puro Entretainment a la Spielberg, já não tenho paciência, mas foi bom enquanto durou.

Sunset Blvd. - Billy Wilder - 1950

- You're Norma Desmond. You used to be in silent pictures. You used to be big.
- I am big. It's the pictures that got small.

Tem a mesma essência do recente The Artist, a homenagem ao cinema mudo.
Von Stroheim, Buster Keaton, DeMille e Gloria Swanson participam na festa.
Exemplar.
Memórias: Gloria Swanson, narração
Um belíissimo Noir de Billy Wilder, e talvez o seu melhor filme.

L.A. Confidential - Curtis Hanson - 1997

"Rollo Tomasi..."

Neo-noir com belas cores.
O melhor do género desde Chinatown, apesar de não ser verdadeiramente fiel à alma negra dos filmes Noir.
O argumento é bem conseguido apesar do exagero de turning points.
Esteticamente bem trabalhado não ficou longe de ser um grande filme.
Memórias: Kim Bassinger, Kevin Spacey e Rollo Tomasi
Curtis Hanson apesar de não deslumbrar foi uma surpresa.

Mr. Smith Goes to Washington - Frank Capra - 1939

"I wouldn't give you two cents for all your fancy rules if, behind them, they didn't have a little bit of plain, ordinary, everyday kindness and a little looking out for the other fella, too."

A história do Dom Quixote americano espanta por conseguir emocionar sem ser piegas como era suposto.
O patriotismo, a unidimensionalidade de Jefferson Smith são quase  repugnantes, e mesmo assim sinto empatia.
Memórias: Sonho, esperança, justiça.
Frank Capra é um mestre da forma clássica, um dos mais puros de Hollywood.
Mr. Smith foi dos poucos que conseguiram sobreviver à minha adolescência.

That Obscure Object of Desire - Luis Buñuel - 1977

I respect love too much to go seeking it in the back streets.















Mais uma adaptação do romance de Pierre Louÿs " La femme et le pantin" que parece feito à medida do universo de Buñuel.
Duas actrizes representam Conchita, realçando as duas faces da personagem.
Memórias: O poder do desejo e da humilhação.
Buñuel continuou a surpreender até ao último filme.

L’Age d’Or - Luis Buñuel - 1930













Buñuel e Dali tinham a coragem e loucura que tanta falta nos faz hoje em dia.
As nossas mentes tentam decifrar a sequência de cenas surreais como se a lógica fosse a única forma de codificar a realidade.
Todos sabemos de que se trata: sexualidade reprimida, as regras
eternas da sociedade, o poder da religião... tudo se esclarece quando desistimos de compreender.
Memórias: Uma vaca na cama e a sexualidade explícita.
A obra de Buñuel é assombrosa, foi em L’Age d’Or e em Un chien andalou que se apresentaram as linhas essenciais do cinema surreal de Buñuel.

The Blue Angel - Josef Von Sternberg - 1930

"They call me Lola."

















 

Der blaue Engel garantiu a eternidade a Marlene Dietrich mas o verdadeiro protagonista é Emil Jannings. Encarnando novamente a decadência, lembra o seu desempenho não menos brilhante em Last Laugh de Murnau.
Memórias: Emil Jannings, péssima música
Von Sternberg filma insistentemente mulheres que provocam a decadência dos homens e em
The Blue Angel encontrou dois actores ideais para o seu cinema.

The Circus - Charles Chaplin - 1928





















Aparece na linha de The Gold Rush em que os elementos cómicos se sobrepõem a uma ideia mais elaborada de cinema.
Memórias: a cadeira e o altruísmo  de Charlot
The Circus pouco acrescenta à obra de Chaplin.

The Kid - Charles Chaplin - 1921

“A picture with a smile and, perhaps, a tear"


Uma criança representa a ternura que dá sentido à slapstick comedy, e distingue Chaplin dos restantes silent clowns.
Memórias: Jackie Coogan, a primeira criança prodígio do cinema, e a forma como aparece vestida.
O primeiro filme grandioso de Chaplin começa com a frase que resume toda a sua obra.

El Verdugo - Luis García Berlanga - 1963

Jose Luis - “¡No lo volveré a hacer! ¿entiendes?”
Amadeo - “Sí, yo también dije lo mismo”

Fabulosa comédia negra.
Critica feroz ao regime franquista dissimulada numa comédia inesperada.
Memórias: Amadeo, execução.
O cinema e o  humor enquanto forma de resistência.

Cléo de 5 à 7 - Agnès Varda - 1962

"Tout le monde me gâte, personne ne m’aime… personne."

Agnès Varda mostra como 2 horas podem transformar Cléo de regresso a Florence.
Mais do que o argumento ou a mestria de Varda impressiona a capacidade de filmar o quotidiano em torno da acção principal.
Memórias: o medo, a artificialidade, as gentes de Paris
Não é um dos meus preferido da Nouvelle Vague, mas mesmo assim um belo exemplo da transformação do cinema. 

A Dog's Life - Charles Chaplin - 1918



 






















O sonho da vida no campo em contraste com a miséria e degradação moral da vida nas cidades.
Memórias: O cão e os polícias
Chaplin a crescer em direcção a City Lights, que só apareceria mais de uma década depois.

Il Conformista - Bernardo Bertolucci - 1970

"Un uomo normale?"

Bertolucci aproveitou bem o romance de Alberto Moravia. 
Ainda muito jovem consegui mostrar génio na forma como utiliza a câmara, as focagens e desfocagens, truques originais, poesia nas imagens...
Uma obra corajosa mas coerente e um dos momentos marcantes da década de 70.
As folhas de Outono certamente Inspiraram The Godfather e Miller's Crossing.
Memorias: Quadro, pôr-do-sol no comboio, tango, troca de observador no programa de radio.
O grande filme de Bertolucci.

Natural Born Killers - Oliver Stone - 1994

"You can't hide from your shadow."
Bonnie and Clyde dos anos 90.
Argumento de um desconhecido, Tarantino.
Oliver Stone complexo como sempre, a edição abundante em cortes, as cores, e arrogante como sempre. 
Stone confunde arte com exibicionismo, e mensagem com verdade.
Memórias: As personagens: Mallory e Mickey
Dois anos antes tinha surgido "C'est arrivé près de chez vous", que tinha tudo o que falta a Natural Born Killers.

Panic Room - David Fincher - 2002

- It's disgusting how much I love you.
- Tell me about it.



Depois de Fight Club não seria possível esperar tamanho passo atrás de Fincher.
Memórias: Não deixou.
Fincher soma tiros ao lado.

Miller's Crossing - Coen - 1990

Jesus, Tom!
 
Muita arte nos detalhes, texto riquíssimo, Turturro e restantes actores no seu melhor.
Memórias: A anedota do chapéu. Tom, tem coração?
Mais um brilhante trabalho dos irmãos Coen.

The Seven Year Itch - Billy Wilder - 1955

- Do you have any kids?  
- No. None. No kids. Well, just one. Little one. Hardly counts.


Marilyn bela e ingénua como sempre, numa comédia de costumes demasiado inocente.
Memórias: Um piscar de olhos
Marilyn domina o ecrã mas seca tudo em volta, num trabalho pouco brilhante de Wilder.

Some Like it Hot - Billy Wilder - 1959

"I'm Sugar..."

Marilyn... e muito mais, Jack Lemmon e Tony Curtis fazem uma dupla fantástica.
Memórias: Marilyn... "I Wanna Be Loved by You"
Billy Wilder junta um excelente conjunto de actores num enquadramento perfeito e cria a sua melhor comédia.

Great Expectations - David Lean - 1946

"I realized that in becoming a gentleman, I had only succeeded in becoming a snob."

Talvez o melhor trabalho de David Lean. 
Mais uma adaptação feliz de Dickens, com o enredo a colorir as poderosas imagens a preto e branco.

Memórias: a beleza de Jean Simmons (Valerie Hobson não tem culpa) e as árvores do cemitério.
Lean apresenta por vezes uma perfeição apática que me arrefece os sentidos, mas Dickens conhecia como poucos a natureza humana, e ignora a neutralidade de Lean.

Oliver Twist - David Lean - 1948

"What right have you to butcher me"

















David Lean é artisticamente conservador, mas apesar da falta de audácia encontrou o seu espaço natural nas adaptações dos clássicos de Dickens, mantendo intacto o espírito da obra literária.
Memórias: Fagin (Alec Guiness), o cão e a mão na perspectiva de Oliver.
A versão definitiva de Oliver Twist.

Raising Arizona - Coen - 1987

"We figured there was too much happiness here for just the two of us"

O primeiro sucesso dos Coen é uma comédia acelerada que esconde nos detalhes muito do que seria o futuro do cinema da dupla.
Memórias: O terror das cenas do rapto, o assalto das fraldas
Uma das minhas comédias favoritas.

Les Quatre Cents Coups - François Truffaut - 1959

"Sometimes I'd tell them the truth and they still wouldn't believe me, so I prefer to lie."


Antoine é um Oliver Twist dos novos tempos, comovente e actual. 
A imagem estagnada de Léaud na praia é das mais belas da história do cinema.
Truffaut lembra Zero de Conduite e Chris Marker certamente se lembrou deste momento quando fez La Jetée,

Memórias: o casaco a lembrar Marlon Brando em On the Waterfront
Um dos momentos fundadores da Nouvelle Vague, um dos filmes que mais inspiraram os anos 60, e uma obra prima por si só.

Sullivan's Travel's - Preston Sturges - 1941

"O Brother, Where Art Thou?"



Uma comédia ao gosto dos anos 40, a tentar recuperar o género que tão bons resultados teve no cinema mudo.
Veronica Lake não era grande actriz, mas o seu cabelo já fazia adivinhar a Femme Fatale dos filmes Noir, a que se iria dedicar o resto da década. Deslumbrante.
Memórias: Veronica Lake
Sturges é mestre nas gargalhada, mas nos anos 40 em Hollywood nada era inocente, e por isso não deixo de sentir o sabor amargo da mensagem que está subjacente em Sullivan's Travels.

Fahrenheit 451 - François Truffaut - 1966

- You don't like books, then.
-
Do you like the rain?
-
Yes, I adore it.

Um dos meus guilty pleasures... quando o vi pela primeira vez ainda era mais fácil acreditar no Tom&Jerry que num futuro onde os bombeiros queimavam livros.
Estranha-se a cómica utilização dos efeitos especiais, os diálogos assépticos, mas tenho noção que o irrealismo foi uma das razões que me fizeram não esquecer Fahrenheit.
Memórias: A Joana d'Arc, os livros, o monocarril, o carro de bombeiros, Julie Christie
O final é belíssimo, as vozes em overlap, a neve.. e o Bairro do Amor do Jorge Palma!

Black Narcissus - Michael Powell, Emeric Pressburger - 1947

There’s something in the atmosphere that makes everything seem exaggerated.




Quem diria que uma história de freiras isoladas nos Himalaias podia transformar-se num filme como este.
Impressionam as cores e a sensualidade.
Memórias: Jack Cardiff: Cinema's Vermeer; o ar alucinado de Sister Ruth
O mais convencional de P&P, menos sonho e por isso talvez o mais completo... mas prefiro Blimp.

A Matter of Life and Death - Michael Powell, Emeric Pressburger - 1946

"Well, can a starving man prove he's hungry except by eating?"

A história de um homem que fugiu à morte e de um amor que não era suposto existir. Homenagem às almas perdidas na WWII, numa fantasia poética.
Memórias: o texto, o céu e a côr.
Blimp teve em mim um impacto inesperado, e talvez tenha diminuído A Matter of Life and Death, mas a originalidade de P&P continua evidente.

El Angel Exterminador - Luis Buñuel - 1962

"Creo que la gente del pueblo, la gente baja, es menos sensible al dolor."
Após um luxuoso jantar os convivas, inexplicavelmente, não conseguem abandonar a sala.
Buñuel cria o cenário para que a aristocracia possa revelar a sua natureza, um Big Brother precoce.
Memórias: As inesperadas repetições.
Podemos procurar o significado da metáfora mas..."Quizá la explicación de El ángel exterminador sea que, racionalmente, no hay ninguna.."... a começar pelo titulo.

Viridiana - Luis Buñuel - 1961

"Sólo sé que he cambiado"


Viridana é um belíssima noviça que se vê forçada a enfrentar a realidade fora das paredes do convento. 
A jovem, confortada com a sua sexualidade, questiona a sua fé em Deus e na humanidade. 
Em Viridiana estão presentes todos os elementos do cinema de Buñuel.
Memórias: Última ceia, o cão sofredor, o olhar de Ramona, o final à trois

Muitos procuram respostas no cinema, o niilismo de Buñuel provoca-nos questões.