"I don’t wanna face something I don’t understand…” O filme mais negro dos Coen. Argumento construído de forma pouco usual mas brilhante. Memórias: Anton similar ao The Terminator, ‘toss a coin’ Não é o meu preferido dos Coen, nem o melhor da dupla, mas certamente um dos melhores da década.
"I see disaster. I see catastrophe. Worse, I see lawyers!" Diálogos alucinantes, óptimos actores e um universo ficcional riquíssimo garantem sempre um bom filme para Woody Allen, mas por vezes fica a sensação que nada acrescentam em relação ao que já vimos, e em Mighty Aphrodite isso acontece. Memórias: Par Mira Sorvino e Woody Claramente dos menos preferidos...
" You Americans, you're all the same. Always overdressing for the wrong occasions." Tinha 8 anos e era o melhor cinema que imaginava. Arte? Arte eram os livros. Memórias: Anos 30, aventura, herói Puro Entretainment a la Spielberg, já não tenho paciência, mas foi bom enquanto durou.
- You're Norma Desmond. You used to be in silent pictures. You used to be big. - I am big. It's the pictures that got small. Tem a mesma essência do recente The Artist, a homenagem ao cinema mudo. Von Stroheim, Buster Keaton, DeMille e Gloria Swanson participam na festa. Exemplar. Memórias: Gloria Swanson, narração Um belíissimo Noir de Billy Wilder, e talvez o seu melhor filme.
"Rollo Tomasi..." Neo-noir com belas cores. O melhor do género desde Chinatown, apesar de não ser verdadeiramente fiel à alma negra dos filmes Noir. O argumento é bem conseguido apesar do exagero de turning points. Esteticamente bem trabalhado não ficou longe de ser um grande filme. Memórias: Kim Bassinger, Kevin Spacey e Rollo Tomasi Curtis Hanson apesar de não deslumbrar foi uma surpresa.
"I wouldn't give you two cents for all your fancy rules if, behind them, they didn't have a little bit of plain, ordinary, everyday kindness and a little looking out for the other fella, too." A história do Dom Quixote americano espanta por conseguir emocionar sem ser piegas como era suposto. O patriotismo, a unidimensionalidade de Jefferson Smith são quase repugnantes, e mesmo assim sinto empatia. Memórias: Sonho, esperança, justiça. Frank Capra é um mestre da forma clássica, um dos mais puros de Hollywood. Mr. Smith foi dos poucos que conseguiram sobreviver à minha adolescência.
I respect love too much to go seeking it in the back streets.
Mais uma adaptação do romance de Pierre Louÿs "
La femme et le pantin" que parece feito à medida do universo de Buñuel. Duas actrizes representam Conchita, realçando as duas faces da personagem. Memórias: O poder do desejo e da humilhação. Buñuel continuou a surpreender até ao último filme.
Buñuel e Dali tinham a coragem e loucura que tanta falta nos faz hoje em dia. As nossas mentes tentam decifrar a sequência de cenas surreais como se a lógica fosse a única forma de codificar a realidade. Todos sabemos de que se trata: sexualidade reprimida, as regras eternas da sociedade, o poder da religião... tudo se esclarece quando desistimos de compreender. Memórias: Uma vaca na cama e a sexualidade explícita. A obra de Buñuel é assombrosa, foi em L’Age d’Or e em Un chien andalou que se apresentaram as linhas essenciais do cinema surreal de Buñuel.
Der blaue Engel garantiu a eternidade a Marlene Dietrich mas o verdadeiro protagonista é Emil Jannings. Encarnando novamente a decadência, lembra o seu desempenho não menos brilhante em Last Laugh de Murnau. Memórias: Emil Jannings, péssima música Von Sternberg filma insistentemente mulheres que provocam a decadência dos homens e em The Blue Angel encontrou dois actores ideais para o seu cinema.
Aparece na linha de The Gold Rush em que os elementos cómicos se sobrepõem a uma ideia mais elaborada de cinema. Memórias: a cadeira e o altruísmo de Charlot The Circus pouco acrescenta à obra de Chaplin.
Uma criança representa a ternura que dá sentido à slapstick comedy, e distingue Chaplin dos restantes silent clowns. Memórias: Jackie Coogan, a primeira criança prodígio do cinema, e a forma como aparece vestida. O primeiro filme grandioso de Chaplin começa com a frase que resume toda a sua obra.
Jose Luis - “¡No lo volveré a hacer! ¿entiendes?”
Amadeo - “Sí, yo también dije lo mismo”
Fabulosa comédia negra. Critica feroz ao regime franquista dissimulada numa comédia inesperada. Memórias: Amadeo, execução. O cinema e o humor enquanto forma de resistência.
"Tout le monde me gâte, personne ne m’aime… personne."
Agnès Varda mostra como 2 horas podem transformar Cléo de regresso a Florence. Mais do que o argumento ou a mestria de Varda impressiona a capacidade de filmar o quotidiano em torno da acção principal. Memórias: o medo, a artificialidade, as gentes de Paris Não é um dos meus preferido da Nouvelle Vague, mas mesmo assim um belo exemplo da transformação do cinema.
O sonho da vida no campo em contraste com a miséria e degradação moral da vida nas cidades. Memórias: O cão e os polícias Chaplin a crescer em direcção a City Lights, que só apareceria mais de uma década depois.
Bertolucci aproveitou bem o romance de Alberto Moravia. Ainda muito jovem consegui mostrar génio na forma como utiliza a câmara, as focagens e desfocagens, truques originais, poesia nas imagens... Uma obra corajosa mas coerente e um dos momentos marcantes da década de 70. As folhas de Outono certamente Inspiraram The Godfather e Miller's Crossing. Memorias: Quadro, pôr-do-sol no comboio, tango, troca de observador no programa de radio. O grande filme de Bertolucci.
Bonnie and Clyde dos anos 90. Argumento de um desconhecido, Tarantino. Oliver Stone complexo como sempre, a edição abundante em cortes, as cores, e arrogante como sempre. Stone confunde arte com exibicionismo, e mensagem com verdade. Memórias: As personagens: Mallory e Mickey Dois anos antes tinha surgido "C'est arrivé près de chez vous", que tinha tudo o que falta a Natural Born Killers.
Muita arte nos detalhes, texto riquíssimo, Turturro e restantes actores no seu melhor. Memórias: A anedota do chapéu. Tom, tem coração? Mais um brilhante trabalho dos irmãos Coen.
- Do you have any kids?
- No. None. No kids. Well, just one. Little one. Hardly counts.
Marilyn bela e ingénua como sempre, numa comédia de costumes demasiado inocente. Memórias: Um piscar de olhos Marilyn domina o ecrã mas seca tudo em volta, num trabalho pouco brilhante de Wilder.
Marilyn... e muito mais, Jack Lemmon e Tony Curtis fazem uma dupla fantástica. Memórias: Marilyn... "I Wanna Be Loved by You" Billy Wilder junta um excelente conjunto de actores num enquadramento perfeito e cria a sua melhor comédia.
"I realized that in becoming a gentleman, I had only succeeded in becoming a snob."
Talvez o melhor trabalho de David Lean. Mais uma adaptação feliz de Dickens, com o enredo a colorir as poderosas imagens a preto e branco.
Memórias: a beleza de Jean Simmons (Valerie Hobson não tem culpa) e as árvores do cemitério. Lean apresenta por vezes uma perfeição apática que me arrefece os sentidos, mas Dickens conhecia como poucos a natureza humana, e ignora a neutralidade de Lean.
David Lean é artisticamente conservador, mas apesar da falta de audácia encontrou o seu espaço natural nas adaptações dos clássicos de Dickens, mantendo intacto o espírito da obra literária. Memórias: Fagin (Alec Guiness), o cão e a mão na perspectiva de Oliver. A versão definitiva de Oliver Twist.
"We figured there was too much happiness here for just the two of us"
O primeiro sucesso dos Coen é uma comédia acelerada que esconde nos detalhes muito do que seria o futuro do cinema da dupla. Memórias: O terror das cenas do rapto, o assalto das fraldas Uma das minhas comédias favoritas.
"Sometimes I'd tell them the truth and they still wouldn't believe me, so I prefer to lie."
Antoine é um Oliver Twist dos novos tempos, comovente e actual. A imagem estagnada de Léaud na praia é das mais belas da história do cinema. Truffaut lembra Zero de Conduite e Chris Marker certamente se lembrou deste momento quando fez La Jetée,
Memórias: o casaco a lembrar Marlon Brando em On the Waterfront Um dos momentos fundadores da Nouvelle Vague, um dos filmes que mais inspiraram os anos 60, e uma obra prima por si só.
Uma comédia ao gosto dos anos 40, a tentar recuperar o género que tão bons resultados teve no cinema mudo. Veronica Lake não era grande actriz, mas o seu cabelo já fazia adivinhar a Femme Fatale dos filmes Noir, a que se iria dedicar o resto da década. Deslumbrante. Memórias: Veronica Lake Sturges é mestre nas gargalhada, mas nos anos 40 em Hollywood nada era inocente, e por isso não deixo de sentir o sabor amargo da mensagem que está subjacente em Sullivan's Travels.
- You don't like books, then.
- Do you like the rain?
- Yes, I adore it.
Um dos meus guilty pleasures... quando o vi pela primeira vez ainda era mais fácil acreditar no Tom&Jerry que num futuro onde os bombeiros queimavam livros. Estranha-se a cómica utilização dos efeitos especiais, os diálogos assépticos, mas tenho noção que o irrealismo foi uma das razões que me fizeram não esquecer Fahrenheit. Memórias: A Joana d'Arc, os livros, o monocarril, o carro de bombeiros, Julie Christie O final é belíssimo, as vozes em overlap, a neve.. e o Bairro do Amor do Jorge Palma!
There’s something in the atmosphere that makes everything seem exaggerated.
Quem diria que uma história de freiras isoladas nos Himalaias podia transformar-se num filme como este. Impressionam as cores e a sensualidade. Memórias: Jack Cardiff: Cinema's Vermeer; o ar alucinado de Sister Ruth O mais convencional de P&P, menos sonho e por isso talvez o mais completo... mas prefiro Blimp.
"Well, can a starving man prove he's hungry except by eating?"
A história de um homem que fugiu à morte e de um amor que não era suposto existir. Homenagem às almas perdidas na WWII, numa fantasia poética. Memórias: o texto, o céu e a côr. Blimp teve em mim um impacto inesperado, e talvez tenha diminuído A Matter of Life and Death, mas a originalidade de P&P continua evidente.
"Creo que la gente del pueblo, la gente baja, es menos sensible al dolor."
Após um luxuoso jantar os convivas, inexplicavelmente, não conseguem abandonar a sala. Buñuel cria o cenário para que a aristocracia possa revelar a sua natureza, um Big Brother precoce. Memórias: As inesperadas repetições. Podemos procurar o significado da metáfora mas..."Quizá la explicación de El ángel exterminador sea que, racionalmente, no hay ninguna.."... a começar pelo titulo.
Viridana é um belíssima noviça que se vê forçada a enfrentar a realidade fora das paredes do convento. A jovem, confortada com a sua sexualidade, questiona a sua fé em Deus e na humanidade. Em Viridiana estão presentes todos os elementos do cinema de Buñuel. Memórias: Última ceia, o cão sofredor, o olhar de Ramona, o final à trois
Muitos procuram respostas no cinema, o niilismo de Buñuel provoca-nos questões.