The Matrix - Larry Wachowski, Andy Wachowski - 1999

"Welcome to the real world."

Matrix foi inovador na aplicação das novas tecnologias, e pela temática, apelou à nova geração.
Ficção cientifica ajustada aos novos tempos e com significado, o que é raro hoje em dia.
O tema requeria no entanto menos acção e um desenvolvimento mais conclusivo, mas se assim fosse não existiriam sequelas e a venda de pipocas sofreria danos irreparáveis.
Memórias: imagens lentas, realidade/mundo virtual
Matrix não é a minha praia, mas o seu sucesso faz sentido.

RoboCop - Paul Verhoeven - 1987

"Dead or alive, you're coming with me!"

Um clássico dos anos 80, onde a acção e o simplismo das ideias vencem sobre qualquer ideia de cinema, ou não fosse mais um trabalho do medíocre Paul Verhoeven.
Memórias: más
A credibilidade que RoboCop ainda tem parece dever-se à ideia que dá origem ao filme, mas depois de Blade Runner, não se deveria ter dado menos atenção a esta inutilidade?

Bowling for Columbine - Michael Moore - 2001

"From my cold dead hands!"

A dimensão da tragédia e a natureza irreal dos factos são terreno fértil para a postura critica de Moore.
Alguns pecados propagandistas são completamente desculpáveis face a personagens tão sinistras como os meninos da NRA.
Memórias: devolver as balas!
Um poderoso documentário de opinião.

Control - Anton Corbijn - 2007

Love will Tear us Apart.

O filme confunde-se com a vida de Ian Curtis.
A força do documentário e da música sobrepõe-se ao cinema, e neste caso, é um mérito.
Memórias: o cinzento das ruas de Manchester
Apaixonante.

Monty Python and The Meaning of Life - Terry Jones, Terry Gilliam - 1983

"Ah, I see you have the machine that goes ping."

Produção mais cuidada dos Monty Phyton, The Meaning of Life é mais comedido no humor nonsense
Memórias: sequência inicial
Os Monty Phyton forma seguramente os maiores inspiradores do humor nos últimos 40 anos.

Monty Python’s Life of Brian - Terry Jones - 1979

"Always look on the bright side of life..."

A canção final é um hino inspirador, lembra-nos que a vida pode sempre ser vista como uma comédia.
Lamentavelmente, precisamos muitas vezes de cantar ... always look on the bright...
Memórias: Gand Finale
Uma das melhores comédias de sempre.

Monty Python and the Holy Grail - Terry Jones, Terry Gilliam - 1975

"We are the knights who say NI!"

Holy Grail será o menos fantástico filme dos Monty Phyton, mas ainda assim permanece um clássico do humor nonsense.
Memórias: puro nonsense
Estabelece os Monty Phyton como herdeiros dos irmãos Marx.

La Belle et la Bête - Jean Cocteau - 1946

"Belle, you weren't made to be a servant. Even the floor longs to be your mirror!"

Conto de fadas, efeitos especiais, demasiada inocência.
Memórias: Candelabros, castelo
Jean Cocteau é um artista curioso mas o resultado das suas fantasias ficou um pouco datado.

Way Out West - James W.Horne - 1937

- Is it true that he's dead?
- We hope so, they buried him.

Laurel and Hardy, ou Bucha e Estica, nunca me encantaram.
Representam no cinema a tradicional dupla do palhaço rico e o palhaço pobre.
Memórias: musiquinha
Alguns sorrisos não justificam o tempo despendido.

The Third Man - Carol Reed - 1949

"He never grew up. The world grew up round him, that's all."

Magistral, as sombras nas ruas de Viena, os planos inclinados, fazem com que não se queira perder uma única cena por um simples piscar de olhos.
O final é soberbo, a personagem de Anna ensombra todo o enredo.
Memórias: a presença imponente de Welles, as vozes nos esgotos, cuckoos clock
Um dos grandes momentos da década de 40.

Double Indemnity - Billy Wilder - 1944

"I couldn't hear my own footsteps. It was the walk of a dead man."

Double Indemnity, o noir perfeito de Billy Wilder.
Todos os argumentos do género estão presentes, e são exemplarmente explorados por Wilder.
Memórias: todas as personagens são negras
Wilder é um realizador versátil, mas nunca perde a sua identidade, um mestre.

To be or not to be - Ernst Lubitsch - 1942

- No, Mr. Greenberg, I do *not* want your opinion.
- All right... let me give you my reaction.

Lubitsch, fiel a si próprio.
Memórias: Repetição do diálogo com a Gestapo
Boas piadas, pouco cinema.

Trouble in Paradise - Ernst Lubitsch - 1932

"If Casanova suddenly turned out to be Romeo having supper with Juliet, who might become Cleopatra, how would you start?"

Provavelmente a obra maior de Lubitsch, comédia sofisticada, sensual, bem temporizada.
Memórias: jantar em Veneza, Kay Francis
Reconheço o mérito, mas não sinto empatia.

The Magnificent Ambersons - Orson Welles - 1942

"Too slow for us nowadays, because the faster we're carried, the less time we have to spare."

Ambersons é um grande filme, apesar dos cortes, apesar de não ter o mesmo impacto inovador de Citizen Kane.
A riqueza nos detalhes é ainda mais assombrosa do que a ambição do argumento, como em Kane, temos a sensação de que Welles aponta para o infinito.
Memórias: créditos finais, introdução, narração (aproximação literária)
Orson Welles esteve próximo de se tornar o maior realizador da história, mas acabou por sucumbir ao 'sistema'.

The Exorcist - William Friedkin - 1973

- Where is Regan?
- In here. With us.

Em 73 ninguém estava preparado para The Exorcist.
O impacto das imagens gore e a presença religiosa deixaram marcas, mas a beleza do filme está muito além disso.
Memórias: arrojado
The Exorcist é um marco essencial no género, mas ficou um pouco datado.

The Life and Death of Colonel Blimp - Michael Powell, Emeric Pressburger - 1943

"War starts at midnight!"

Blimp perdura estranhamente na memória através da ternura de um velho teimoso.
A estrutura narrativa escorre de forma lenta, mas acabamos por assistir a uma vida inteira e aos seus ensinamentos, e subtilmente Blimp descarrega uma força emocional inesperada.
Memórias: cor, actores, a amizade e ausência de remorsos
Um dia hei-de voltar aqui e amadurecer as sensações do primeiro impacto.

Out of the Past - Jacques Tourneur - 1947

- Oh, Jeff, I don't want to die!
- Neither do I, baby, but if I have to I'm gonna die last.

Out of the Past define o género Noir, sombras e escuridão, narrador e flashbacks, Mitchum o heroi cool, diálogo acutilante, femme fatale e a intromissão do destino.
Memórias: A beleza de Jane Greer
Talvez o melhor noir de sempre.

Citizen Kane - Orson Welles - 1941

"Rosebud..."
 

 
Citizen Kane, o melhor filme da história? Talvez...
Tecnicamente inovador e exemplar, Kane é o melhor exemplo da época áurea de Hollywood. Orson Well tinha liberdade, ambição e talento
O melhor do filme é a sensação de grandiosidade, de algo verdadeiramente poderoso a acontecer na tela.
Memórias: sequência inicial, montagem, fotografia e audacidade.
Procurar Rosebud é procurar o sentido da vida, mas para mim Rosebud será sempre a possibilidade de voltar atrás e fazer diferente.

Fight Club - David Fincher - 1999

"I found freedom. Losing all hope was freedom."

Fight Club afirma Fincher como um dos melhores realizadores de estúdio da actualidade, e simultaneamente a sua falta de identidade enquanto artista.
A desmultiplicação da personagem em duas funciona bem, mas começa a ser recorrente no cinema actual a tendência de fazer do climax final uma inversão de toda a história que assistimos.
Fight Club, apesar da violência desnecessária, é um bom filme, mas quando se pisca o olho à juventude rebelde, é necessário ter uma mensagem clara, e Fight Club não tem.
Memórias: exagero nos (bons) truques que a tecnologia digital permite.
Podia ter sido um dos melhores da década, mas acabou por ficar aquém do seu potencial.

Belleville Rendez-vous - Sylvain Chomet - 2003

"Is that it, then? Is it over, do you think? What have you got to say to Grandma?"

Bizarro e divertido, Belleville rendez-vous prova que a criatividade não está dependente da tecnologia.
Memórias: Casa, canção
Talvez marque o fim de uma era, mas a formula não está esgotada.

Shrek - Andrew Adamson, Vicky Jenson - 2001

The Donkey: I think I need a hug.

Shrek pode ter empalidecido a sua chama ao longo dos anos mas naquele momento mudou a animação.
A mistura entre o humor adulto e infantil, a expressividade das novas tecnologias e sobretudo a importância das vozes, criaram as bases para a evolução do género.
Memórias: o Donkey de Eddie Murphy
Shrek tornou-se justamente na personagem de animação mais celebre da década.

9 - Shane Acker - 2009

- We... awakened something.
- No, I awakened something

9 bonecos de serrapilheira tentam salvar o mundo.
Os bonecos são fenomenais, a história nem por isso.
Memórias: A versão curta não tinha diálogo, a versão longa resultaria melhor sem ele
Shane Acker tem potencial estético, mas não tem nada para dizer.

Wall-E - Andrew Stanton - 2008

"Eeeee... va?"

Uma ternurenta comédia romântica com o encanto de uma primeira paixão.
Memórias: A expressividade e devoção de Wall-E
A melhor animação da década.

Sideways - Alexander Payne - 2004

"Only somebody who really takes the time to understand Pinot's potential can then coax it into its fullest expression."

Cómico e enternecedor, um dos melhores argumentos da década.
Memórias: a forma como Miles e Maya falam sobre o vinho
Payne tem pouca relevância enquanto realizador, resta saber a importância do seu papel como co-argumentista.

Babel - Alejandro González Iñárritu - 2006

"Find me an ambulance! Do something! "
Uma história em painel de um realizador a seguir com atenção.
Iñaturru, com del Toro faz parte de uma geração importante do cinema mexicano.
Babel tem pressupostos interessantes, cruzar culturas, mostrar as diferentes reacções à violência, mostrar como estamos globalmente conectados, e como a falta de capacidades de compreensão ente culturas pode ser trágica.
Babel é razoavelmente bem conseguido, mas as ligações entre as histórias são bastante forçadas.
Memórias: substituição do diálogo pelo som de percussões.
A Babel falta encanto.

Dog Day Afternoon - Sidney Lumet - 1975

- Kiss me.
- What?
- Kiss me. When I'm being fucked, I like to get kissed a lot.
Sidney Lumet aposta no improviso do argumento com algum sucesso.
Al Pacino exagera um pouco mas consegue encher o filme.
Memórias: Al Pacino e cena de abertura (terá inspirado Woody Allen em Manhattan?)
...mas no fim parece apenas mais um filme sobre um assalto que correu mal.

L'Atalante - Jean Vigo - 1934

"Woman is the being who projects the greatest shadow or the greatest light into our dreams."
Um poema de amor nas margens do rio.
L'Atalante é um dos mais belos filmes de sempre.
Memórias: os dois amantes em camas separadas, os restos de viagem, ela pensa, ele fala, dedos no vinil, gatos no gramofone.
Jean Vigo desapareceu com apenas 29 anos, e expandiu as fronteiras do cinema como muito poucos.

A Single Man - Tom Ford - 2009

"For the first time in my life I can't see my future. Everyday goes by in a haze, but today I have decided will be different."
O argumento deixa-nos um pouco perdidos, fala de factos mas não nos entrega as personagens.
A vertente visual é bem conseguida, mesmo sem o contributo da câmara.
Memórias: os planos ampliados dos detalhes da face, os lábios, os olhos, os óculos.
Tom Ford realiza um filme com forte conotação pessoal mas é a sua marca como designer que dá personalidade ao filme.

A Serious Man - Coen - 2009

"Sy Ableman was a serious man."

Mais uma comédia negra dos irmãos Coen, talvez a mais pessoal.
Demonstra a capacidade de olhar para o mundo à sua volta, o enorme poder de sátira e a capacidade de fazer perguntas.
Memórias: Am I a Serious Man?
Mais um belo trabalho dos irmãos Coen, este menos reconhecido do que devia.

Aleksandr Nevskiy - Sergei Eisenstein, Dmitri Vasilyev - 1938

"The Strength of a sword is measured by the arm that wields it"

Um manifesto político, recorrendo a uma batalha igual a tantas outras.
A intervenção de Eisenstein é garantia de qualidade atrás da câmara e na sala de montagem.

Memórias: Os cavaleiros Teutónicos, "Maria!... Anastasia!..."
Nevskiy sucumbe à necessidade de propaganda, sacrificando a arte pela mensagem.

Barry Lyndon - Stanley Kubrick - 1975

"It was in the reign of George III that the aforesaid personages lived and quarreled; good or bad, handsome or ugly, rich or poor they are all equal now"
Barry Lyndon é visualmente assombroso, a luz parece dar vida aos quadros do Século XVIII, e a música complementa magistralmente o cenário.
Passivo e sem chama Redmond não conduz o seu destino e sucumbe às degradantes e intemporais regras da sociedade. Poderia ficar a ideia que a história da ascensão e queda de Redmond não teria suficiente substância, mas a forma como Kubrick constrói o majestoso cenário para tão banal figura, alguém que assiste aos acontecimentos da sua vida sem particular emoção, mostra a pequenez da natureza humana em contraste com a grandeza das possibilidades que a vida nos pode oferecer.
Memórias: a ironia do narrador e o Sarabande de Handel que acompanha o respirar de Lady Lyndon e o passos de Redmond
Barry Lyndon ainda necessita de amadurecer na minha memória, mas é seguramente fascinante.