Lolita - Stanley Kubrick - 1962

There's a nice view from this window... of the front lawn.



Kubrick não consegue retirar todo o potencial de Lolita, talvez pelas limitações do Código Hays, ou apenas porque o tema é particularmente difícil.
Na minha intrepretação Lolita deveria oscilar entre o jogo de quem realmente seduz e quem tem o poder de decisão (Lolita ou o Prof. Humbert) e pela diferença no que os dois homens (Humbert e Quilty) vêm em Lolita.
Memórias: Peter Sellers
Apesar de me parecer a melhor versão de Lolita Kubrick parece demasiado condicionado.

Paths of Glory - Stanley Kubrick - 1957

And one way to maintain discipline is to shoot a man now and then.



The paths of glory lead but to the grave. Mais do que um filme anti-guerra Paths of Glory mostra como a aristocracia europeia criou uma guerra absurda.
Será o La Grande Illusion de Kubrick mas prefiro a abordagem de Dr. Strangelove. A primeira vez como tragédia, a segunda como comédia.
Memórias: Adolphe Menjou, cores cinza.

Minions - Kyle Balda, Pierre Coffin - 2015

He was perfect! He was... despicable!



Não tem grande piada mas foi a primeira vez que levei o meu sobrinho ao cinema.
"O que vai dar a seguir?"
Algo melhor, espero. 

Hamlet - Gregory Doran - 2009

One may smile, and smile, and be a villain.





A versão mais cómica de Hamlet e para um filme feito por gente do teatro absolutamente genial.
Gosto da mistura de épocas, de David Tennant, dos espelhos, das roupas, de quase tudo.
Faltam estranhamente alguns versos e está mais distante do espírito original, por isso não compete com as versões de Branagh e Olivier para quem quer conhecer o verdadeiro Hamlet, mas é a minha versão favorita. 

Hamlet - Kenneth Branagh - 1996

To be, or not to be: that is the question.



Kenneth Branagh oferece-nos a versão completa de Hamlet, e provavelmente também a melhor.
Algum overacting, algum exagero nos cenários faustosos, alguns momentos brilhantes, outros menos conseguidos, mas sempre digno de Shakespeare.
Hamlet continua indeciso mas mais destemido que o habitual.

Hamlet - Bill Colleran, John Gielgud - 1964

Though this be madness, yet there is method in't.



Sendo uma captação da encenação da Broadway não tem valor cinematográfico mas sentimos alguma da vibração do palco que lembra que o teatro é uma outra forma de arte.
Richard Burtin interpreta Hamlet de forma personalizada e enche o palco, evitando a frustração de uma câmara fixa.

Hamlet - Laurence Olivier - 1948

Something is rotten in the state of Denmark.



Laurence Olivier foi o primeiro dos Shakesperianos do cinema.
Além das suas capacidades enquanto actor revela algum talento como realizador, fazendo de Hamlet um noir labiríntico, no castelo e na mente de Hamlet.
Pena que tenha optado por cortar algumas personagens e alguns diálogos mas continua actual e inspirador.

Chimes at Midnight - Orson Welles - 1965

- No, Percy, thou art dust, and food for...
- For worms, brave Percy; fare thee well, great heart!



Composição de várias obras de Shakespeare em que aparece a personagem de Sir John Falstaff, Chimes at Midnight é sobretudo uma homenagem a esse personagem e segundo Welles um ensaio sobre a traição da amizade.
É considerado por alguns, incluindo o próprio Welles, como a sua obra maior.
O filme contém alguns momentos sublimes de representação e batalhas medievais editadas de forma inspiradora mas tenho pouca empatia pelo resultado.

Othello - Orson Welles - 1952

Oh beware, my lord, of jealousy. It is the green-eyed monster which doth mock the meat it feeds on.



The Moor of Venice, a tragédia do ciúme.
Apesar da falta de sincronização das vozes e de uma produção atribulada a combinação de Welles e Shakespeare acaba por resultar.
Iago não é o culpado, apenas explora a fraqueza do amor de Othelo.

The Lady from Shanghai - Orson Welles - 1947

Some people can smell danger. Not me.



Welles foi um dos maiores talentos da história do cinema, a maioria dos seus filmes foram adulterados e no entanto não escondem o talento.
The Lady from Shangai é desiquilibrado, um noir inseguro mas é feito de planos, frases, angulos e momentos que só um génio podia gerar.

McCabe and Mrs Miller - Robert Altman - 1971

Look, Mr. McCabe, I'm a whore!



Altman aventura-se num western revisionista com um anti-heroi que fala constantemente consigo próprio.
Nos últimos anos da Frontier, numa paisagem incaracterística do género, um climax na neve, nas primeiras horas da manhã e não no 'high-noon' tradicional, marca a originalidade do filme.
Utilizando a técnica de pre-fog, diminuindo o contraste e conseguindo maior detalhe nos ambientes sombrios o filme ganha um aspecto menos realista e as imagens expressam mais emoção.
A cinematografia de Vilmos Zsigmond e a música de Leonard Cohen contribuem decisivamente para que este seja provavelmente o melhor filme de Robert Altman.

A Prairie Home Companion - Robert Altman - 2006

- This isn't really going to be your last show, is it?
- Every show is your last show. That's my philosophy.



Music, ensemble pieces and overlapping dialogue... Robert Altman.
Um dos piores filmes que me lembro, a música não ajuda, as personagens são superficiais e a confusão de diálogos inconsequentes uma tortura.
No seu último filme, Altman mantém-se igual a si próprio.

The Hand - Jiri Trnka - 1965




Um prenúncio da Primavera de Praga trazido por um arlequim escultor, oprimido pela mão do poder.
Um epílogo perfeito para a obra do mestre das marionetas.

The Emperor’s Nightingale - Jiri Trnka, Milos Makovec - 1949

And as she sung, the shadows grew paler and paler.



Adaptação do conto de Hans Christian Andersen pelo Walt Disney de Leste com narração de Boris Karloff.
Fastidioso.

The True Glory - Carol Reed, Garson Kanin - 1945

But, brother, I never gave 'em more than the Geneva convention, and that was all.



Nem sempre um documentário é mais verdadeiro que a ficção.
The True Glory conta uma versão da História, um lado da verdade, o lado da Glória.

Saving Private Ryan - Steven Spielberg - 1998

I got a bad feeling about this one.
When was the last time you felt good about anything?



O desembarque do Dia D nunca foi filmado com tanto talento como em Saving Private Ryan.
Spielberg igual a si próprio tenta arrancar lágrimas da audiência juntamente com a adrenalina combate.
A mim, Spielberg já não consegue manipular, a guerra não é como ele a representa.

Amour - Michael Haneke - 2012

Things will go on, and then one day it will all be over.





Conhecendo Haneke, Amour nunca poderia ser um filme romântico.
Haneke pergunta como lidar com o sofrimento de quem amamos, o universo de afectos entre as persongens é a única resposta que encontro. Did I mention you looked very pretty tonight?
A presença de Emmanuelle Riva, jovem e bela em Hiroshima, acentua a crueldade da finitude da vida.
Memórias: Riva sentada ao piano, mas a música que ouvimos é tocada pelo CD.
Haneke navega novamente em territórios difíceis, e pela primeira vez me identifico com o seu cinema.

Funny Games - Michael Haneke - 1997

Why are you doing this to us?
Why not?



Haneke disse que não tencionava fazer um filme de terror, apenas uma reflexão sobre a violência nos media.
Quanto às intenções Funny Games lembra C'est arrivé près de chez vous, mas não é tão eficaz, funciona melhor como filme de terror.
A violência acontece enquanto a câmara filma os seus autores e não as vítimas, mas o horror é muito mais intenso do que nos filmes gore. A delicadeza e sádismo destes monstros são mais assustadores que qualquer fealdade.
Memórias: Rewind e 4th wall
Funny Games é desconfortável e por vezes gratuito, mas não é suposto que um filme de terror o seja?

El Nido - Jaime de Armiñán - 1980

The goldfinch feather will take you to the great tree.



Ana Torrent é a Lolita espanhola.
Sente-se a tensão erótica, a linha que nos separa do pecado é ténue mas Armiñán consegue gerir o risco utilizando a dança como salvação.
Mais romântico do que a Lolita de Nabokov e por isso mais provocador.
El Nido fala-nos do 'coming of age' de Goyita e da salvação de Don Alejandro.
O ninho protege os ovos e é desse amor que o filme nos fala.

Love Me Tonight - Rouben Mamoulian - 1932

And whatever comes tomorrow... Love me tonight.



Uma comédia musical sobre o fim da aristocracia que se distingue pela edição e pelos diálogos:
 
I want you, my Princess. But I have wanted the moon too.
............
Your arms need ever be empty of me.
............
We'll sail together, or stay together.

Memórias: cavalos em câmara lenta.

Doctor Jekyll and Mr Hyde - Rouben Mamoulian - 1931

Perhaps you prefer a gentleman. Those panting hypocrites who like your legs but talk about your garters.



Mamoulian faz uma excelente adaptação da obra Robert Louis Stevenson.
Ainda na era Pre-Code a sexualidade é bem aproveitada, com jogos de espelhos e diálogos mais atrevidos do que veriamos nas duas décadas seguintes.
O tema da dupla personalidade tem no entanto mais potencial do que a simplificação Bela/Monstro (o mal e a beleza não são opostos).

Un heureux événement - Rémi Bezançon - 2011

J’aimerai croire qu’il suffit d’un regard pour savoir qu’on s’aime encore.



A vida podia ser tão simples...

The Girl on the Bridge - Patrice Leconte - 1999

Right now. Anywhere.


 
Sensual, romântico e triste, The Girl on the Bridge é um dos filmes da minha vida.

Ridicule - Patrice Leconte - 1996

On juge un homme a ses frequentations.
On a tort. Judas avait d'excellentes frequentations.



Não era necessário recuar ao século XVIII, a sociedade não mudou muito.
A arte das palavras sobrepõe-se à sinceridade e aos valores.
Resta-nos procurar a verdade nos olhares e nos sorrisos.

Act of Violence - Fred Zinnemann - 1948

You're the same man you were in Germany. You did it once, and you'll do it again.



A exemplar cinematografia noir é o principal mérito do filme.
Traído por um argumento rudimentar, Zinnermann consegue mostrar a sua arte na construção da tensão mas o entusiasmo acaba por esmorecer.
Memórias: sombra a escutar atrás da porta, cena inicial (cidade, noite, nevoeiro, silêncio)

High Noon - Fred Zinnemann - 1952

Maybe because down deep they don't care. They just don't care.



Um western aparentemente simples, com méritos subtis.
Editado com a acção em tempo real usa obsessivamente os relógios da cidade em close-ups de forma a construir tensão. As linhas de caminho de ferro aparecem repetidamente para lembrar a ameaça eminente. A caminhada de Gary Cooper pela cidade filmada numa crane-shot mostra a solidão, o medo e a coragem.
Um western com identidade.

The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford - Andrew Dominik - 2007

You know what I expected? Applause



Um ensaio sobre a traição, na forma de um western.
Perfeição técnica e um mood que dá sentido ao filme.
Memórias: Nick Cave e Warren Ellis
Andrew Dominik revela-se como uma das maiores promessas da sua geração, resta saber se consegue assumir uma identidade que o afirme enquanto autor.

Heaven’s Gate - Michael Cimino - 1980

I never cheated on you. I always made Nate pay.



O filme que acabou com o futuro de Cimino tem muitos méritos mas no conjunto acaba por falhar.
Um dos problemas que tenho com filmes excessivamente longos é que procuro no cinema uma condensação da vida, não necessariamente num climax, mas com suficiente densidade. A estética deve servir essa determinação, de outra forma será estéril e perde valor.
Cimino não merecia tantas criticas, mas os seus erros acabaram por ofuscar o seu talento. Talento esse que apesar de tudo continua bem presente em Heaven’s Gate.

The Deer Hunter - Michael Cimino - 1978

I'm not ready for this!



Poucos filmes me deixam sensações tão duradouras como The Deer Hunter.
Por vezes penso que é apenas a nostalgia induzida pela música mas, seja como fôr, o filme consegue ir mais além do que o enredo ou as imagens fariam supôr.

A sensação de trauma, do irremediavelmente perdido, da sentimento de perda permanecem reais na minha memória.

Crimen Ferpecto - Álex de la Iglesia - 2004

Eres fea, Lourdes. Muy fea. Tú no tienes la culpa pero yo tampoco.



O realizador utiliza a sua fórmula habitual sem conseguir superar os seus trabalhos anteriores.
A identidade forte salva o filme da banalidade e mantém a curiosidade pela obra de Iglesia.

La Comunidad - Álex de la Iglesia - 2000

Tranquila mujer, que no pasa nada. Me haré el tonto como siempre.



Obra prima de Álex de la Iglesia.
Humor negro com sátira social e uma Carmen Maura em grande forma.