The Man With the Movie Camera - Dziga Vertov - 1929

(An excerpt from the diary of a cameraman)

For viewers attention: This film presents an experiment in the cinematic communication of visible events without the aid of intertitles, a scenario, or theater. The experimental work aims at creating a truly international absolute language of cinema based on its total separation from the language of theater and literature.



"Never had I known that these mechanical noises could be arranged to sound so beautiful. Mr. Dziga Vertov is a musician." stated Charlie Chaplin.
Vertov utiliza todos os artifícios disponiveis, num estilo puramente avant-garde, para conseguir capturar de forma única o espírito de uma nação num momento específico da sua história.
Muitas bandas sonoras foram surgindo ao longo dos anos, seguindo as notas do próprio Vertov. A versão da Alloy Orchestra é exemplar.
No final da era do cinema mudo Vertov apresenta um dos filmes mais singulares da história do cinema.

October - Sergei M.Eisenstein - 1928


Long live the Socialist Revolution!





Eisenstein exagerou um pouco na intelectualidade da sua montagem o que retirou emoção à comemoreção da revolução Bolchevique.
Apesar de imperfeito continua arrebatador.

Strike - Sergei M.Eisenstein - 1924


Never forget, comrades!





O primeiro filme de Eisenstein mostra uma forma radicalmente diferente de fazer cinema.
A montagem afirma-se como componente fundamental na definição de ritmos e na criação de metáforas.
Enquanto o individualismo e a alienação ganhavam terreno em Hollywood, a propaganda russa criava personagens colectivas e mostrava realidade.
Eisenstein, além da política e da técnica de montagem, mostra criatatividade e sentido estético.
Um filme brilhante.

The Testament of Dr Mabuse - Fritz Lang - 1932

- Mabuse the criminal?
- Mabuse the genius!



Em relação com o primeiro filme da série a evolução técnica é evidente.
Apenas numa década, o som, os movimentos da câmara e muito mais, alteraram radicalmente a gramática do cinema.
Apesar de menos entediante, falta-lhe a originalidade do filme que lhe deu origem.
A reaparição da personagem em 1.000 Eyes não se justifica, Dr. Mabuse já tinha cumprido o seu destino.

Doctor Mabuse, der Spieler - Fritz Lang - 1922


There is no love.
There is only desire!
There is no happiness.
There is only the will to power!



Doctor Mabuse foi inspirador para todo o cinema que se dedica ao mundo do organizações criminosas e aos seus cérebros.
Estéticamente pouco resta da sensação de distorção do expressionismo alemão.
Apesar de bastante datado, Dr Mabuse é fundamental para compreender muito do cinema que ainda hoje se faz.

The Cameraman - Buster Keaton - 1928

Did you ever find that flame you were looking for?



Os créditos de Edward Sedgwick como realizador não merecem crédito.
A coreografia desastrada e atlética com um pouco de romantismo resulta em mais uma comédia perfeita de Buster Keaton.

A Woman of Paris - Charles Chaplin - 1923

Why bring up the past?



Chaplin poderia ter sucesso fora da comédia mas não demonstrou no drama igual genialidade.
Um retrato fiel da sociedade da época, o contraste da loucura dos anos 20 com o puritanismo americano numa sociedade cada vez mais desigual.
Gosto particularmente da luz nas transiçoes de cena, mas é insuficiente para alguém como Chaplin.

Les Choses de la Vie - Claude Sautet - 1969

Tu m'aimes parce que je suis là. Mais s'il faut traverser la rue pour me rejoindre tu es perdu.



Um filme simples mas eficaz.
O resumo de uma vida em pequenos momentos de verdade.

The Wind - Victor Sjöstrom - 1928



Um dos grandes exemplos de visual storytelling, talvez apenas superado pelo Days of Heaven de Malick.
Lillian Gish, talvez a melhor actriz do cinema mudo, e a contemporânea banda sonora de Alex Marenga aka AMPTEK complementam exemplarmente o trabalho de Victor Sjöstrom. 

The Phantom Carriage - Victor Sjöstrom - 1921


lf she had gone openly, I would have understood, but to slink off like that, to let me come home to an empty house, that was heartless!









The Phantom Carriage tem origem num romance da prémio nobel Selma Lagerlöf, uma meditação sobre o alcoolismo com tons de Charles Dickens.
Por esta altura o cinema nórdico tinha um papel central na arte do cinema, mestres no domínio da luz e do contraste preto e branco.
Victor Sjöstrom filma com delicadeza e com um ritmo que os tempos actuais não permitem.
Sjöstrom inspirou não apenas Ingmar Bergman mas também o "Heeeeeeres Johhny!"
Um dos grandes filmes do cinema mudo.
Lord, please let my soul come to maturity before it is reaped.

Foolish Wives - Erich Von Stroheim - 1922




Von Stroheim adora vestir a sua farda aristocrática enquanto satiriza os valores que esta simboliza.
Perfeccionista e megalómano, Von Stroheim está à frente do seu tempo, mesmo se este filme seja apenas uma pequena peça do puzzle do seu cinema.

Nanook of the North - Robert J.Flaherty - 1922



Considerado o primeiro documentário da história, Nonook of the North é ainda hoje um interessante trabalho etnográfico sobre um povo sem nação, ainda hoje quase incógnito.

Häxan - Benjamin Christensen - 1922


Poor little hysterical witch!







Inspirado no Malleus Maleficarum, o tristemente célebre manual de combate à bruxaria, Haxan é um documentário ficcionado sobre a feitiçaria.
Graficamente arrojado, contem imagens de tortura, nudez e preversão sexual pouco habituais no seu tempo.
Apesar do mérito estético e da relevância evidente, não sou particular admirador.

Das Cabinet des Dr. Caligari - Robert Wiene - 1919


I must know everything.
I must penetrate the heart of his secret!
I must become Caligari!



A obra-prima do expressionismo alemão além de todo o cinema que inspirou continua a ser um dos meus filmes preferidos de todos os tempos.
O set design, a luz e os ângulos bizarros constroem numa originalidade única e despertam a imaginção.
O primeiro verdadeiro filme de terror é assombroso.

Way Down East - D.W. Griffith - 1920


Don't worry - everything's all right. Don't you trust me?





D.W. Griffith sempre se sentiu um Deus a falar para as massas.
Way Down East é um drama suportado na crítica à moral victoriana.
O paradigma do cinema de Hollywood, na estética e não só, nasceu aqui.

True Heart Susie - D.W. Griffith - 1919



True Heart Susie é uma demonstração de conservadorismo moral, apenas faz sentido como história infantil.
Lillian Gish volta a brilhar num excelente exemplo da capacidade poética de D.W. Griffith.

Intolerance - D.W. Griffith - 1916

The fragrant mystery of your body is greater than the mystery of life.



Love's Struggle Throughout the Ages.
Relativamente a The Birth of a Nation as inovações são escassas, apenas a montagem e grandiosidade merecem destaque.
Contrariamente à maioria não considero Intolerance uma grande conquista para a sua época ou para Griffith.

The Birth of a Nation - D.W. Griffith - 1915

Monument of shame.



The Birth of the Nation marca o nascimento do cinema em forma de filme.
Pioneiro nas técnicas narrativas, nos close-ups e fade-outs, e sobretudo na afirmação do cinema enquanto arte.
Simultaneamente obra-prima e monstruosidade, todos os seus méritos se eclipsam perante uma moralidade abjecta.

Les Vampires - Louis Feuillade - 1915

All's well that ends well, but we still haven't seen the last of the Vampires.



Muitas das habituais rotinas dos filmes policiais nasceram em Les Vampires.
A influência extende-se de Hitchcock até uma eventual inspiração para El Ángel Exterminador de Buñuel.
Os seriados da década de 10 são precursores do formato televisvo, entediantes e circulares.
Além de Musidora e Mazamette as imagens mais marcantes são os vultos negros a caminhar sorrateiramente pelos telhados.

The Ring - Alfred Hitchcock - 1927


I'm with you.... in your corner.



Apesar de nesta altura Hitchcock não figurar entre os maiores do seu tempo começava a mostrar o seu talento e identidade nos pequenos detalhes.
A importância simbólica dos objectos, captados em close-up, e a iluminação com inspiração do expressionismo alemão são exemplos de um génio em crescimento.

Edward Scissorhands - Tim Burton - 1990

- Hold me.
- I can't.



Edward Scissorhands é um conto de fadas, inspirado na Bela e o Monstro e Frankenstein, com traços de matiné para adolescentes.
A estética assenta no contraste entre o ambiente suburbano em tons pastel e o cabedal negro com penteado à Robert Smith de Edward.
A história fala-nos sobre o isolamento, a incompreenção e a diferença, e nesse sentido é o filme mais pessoal do realizador.
O filme define toda a obra de Tim Burton.

Beetlejuice - Tim Burton - 1988

My whole life is a dark room. One big dark room.



Um filme de terror transformado em comédia.
Nos anos oitenta pareceu-me apenas mais um flme para adolescentes mas já tinha as sementes do universo único de Tim Burton.

Batman Returns - Tim Burton - 1992

Honey, I'm home. Oh, I forgot. I'm not married.



Esqueletos motociclistas e um exército de pinguins dão corpo à loucura de Tim Burton.
A personagem de Batman dilui-se, a falta de propósito do argumento é evidente.
O regresso de Batman serve apenas para Tim Burton expôr a sua enorme creatividade.

Batman - Tim Burton - 1989


- Let me tell you about this guy I know. Jack. Mean kid. Bad seed. Hurt people.
- I like him already. 




Os filmes de Tim Burton destacam-se pela produção artística e pelas personagens bizarras.
Em Batman Burton recria a Metropolis de Fritz Lang, dá-lhe maior negritude, e cria Gotham City.
O noir da cidade e de Batman contrastam com a exuberância do Joker.
Apesar da competência de Christopher Nolan nas futuras versões, o olhar único de Tim Burton e a recusa em focar-se na acção fazem da versão de 89 a versão definitiva de Batman.

Bonnie and Clyde - Arthur Penn - 1967


We rob banks!



A Nouvelle Vague chega a Hollywood pelo talento de Arthur Penn.
O código Hays dava os últimos suspiros, a violência e a amoralidade apanham os críticos de surpresa mas as novas gerações constroem o sucesso do filme.
Embora romantizada no cinema a história real de Bonnie Parker e Clyde Barrow não tem menos encanto.
Além da importância histórica e da sensação de proximidade com as personagens reais, muito do mérito de Arthur Penn está na clarividência com que aborda o tema central.
Bonnie and Clyde é a história de dois amantes que atravessam uma linha sem retorno e continuam fieis a si próprios em direcção ao fim que sabiam que seria o seu.
O último sorriso de Bonnie continua arrepiante.

Doctor Zhivago - David Lean - 1965


He's the kind of man the world pretends to look up to, and in fact despises.



Os grandes romances dificilmente dão origem a filmes de igual valia.
As formas servem propósitos diferentes e mais facilmente se capta a essência dos romances no modo extendido da televisão.
O romance original de Boris Pasternak é uma meditação sobre a revolução bolshevik, seus encantos e desencantos, utilizando como pretexto a paixão entre Zhivago e Lara.
O filme de David Lean é uma história de amor que tem a revolução com plano de fundo.
David Lean consegue dar dimensão épica à paixão com imagens belíssimas entre o caos que amplia a dimensão trágica das vidas das personagens.
Apesar de conservador Doctor Zhivago é um filme esmagador, a obra de Pasternak no entanto é apenas um subtexto.
Nesse sentido ficou um outro filme por fazer.

The Private Life of Sherlock Holmes - Billy Wilder - 1970

You know what they say about us: if there's one thing more deplorable than our cooking, it's our lovemaking.




A personagem merece sem dúvida uma biografia mas Billy Wilder não conseguiu acrescentar muito a um Sherlock Holmes já muito desgastado. 
Um filme menor de Billy Wilder e de Sherlock Holmes.

The Scarlet Claw - Roy William Neill - 1944

Churchill said that?



Inúmeros contos surgiram a partir do contexto criado por Conan Doyle.
The Scarlet Claw será talvez a minha história preferida de Sherlock Holmes. 

The Hound of the Baskervilles - Terence Fisher - 1959

Elementary, my dear Watson.



Sherlock a cores e com muito nevoeiro.
O melhor filme do homem do cachimbo.

The Hound of the Baskervilles - Sidney Lanfield - 1939

Murder, my dear Watson. Refined, cold-blooded murder.



Lembro-me da desilusão quando li a primeira história de Conan Doyle, só mais tarde compreendi que o mérito estava apenas na personagem.
Sherlock Holmes é uma das personagens com maior presença na história do cinema.
A versão de 1939 de The Hound of the Baskervilles é o primeiro de uma série de 14 filmes que ajudaram a criar a lenda.
Tal como os livros, os filmes de Sherlock Holmes valem sobretudo pela personagem.