El día de la Bestia - Álex de la Iglesia - 1995

- ¿Eres satánico, verdad?
- Sí señor, y de Carabanchel.



Uma comédia satanica, que marcou o estilo de Álex de la Iglesia.
Conjugação do terror com a comédia, Dario Argento com humor pop.
Muita personalidade.

A Bacia de John Wayne - João César Monteiro - 1997


Não sou homem de muitas falas. Na primeira aberta, só lhe disse o que o Professor Salazar terá dito à governanta: "Mariazinha, não estamos aqui para nos divertirmos".



João César Monteiro desiludido, e aparentemente perdido, numa viagem Joyciana.
Fechado sobre o seu mundo, com as vantagens e desventuras do seu universo, assumindo-se como o Woody Allen do cinema português.

As Bodas de Deus - João César Monteiro - 1999

Tudo parece perdido



No fecho da triologia João de Deus mudou de classe e passou a Barão de Deus mas no final, acaba expulso do paraíso.
Memórias: homenagem a Pickpocket
O alter-ego de César Monteiro despede-se, mas continua a dar-nos trabalho.

A Comédia de Deus - João César Monteiro - 1995

Gostei muito. Foi irreverente e oportuno. Temos de nos voltar a ver um dia destes.



A trilogia de Deus prossegue depois de As Recordações da Casa Amarela.
Menos inspirado, César Monteiro ascende socialmente João de Deus mas no final a sua marginalidade sobrepõe-se.
João de Deus representa a ausência de filtros sociais e aqui o elogio do feminino e a sua ritualização são o tema do desafio.

Njinga Rainha de Angola - Sérgio Graciano - 2014


























Uma das imagens que guardo de Angola são os longos minutos na sala de cinema em que a voz-off no final do filme enaltece José Eduardo dos Santos como herdeiro da Rainha Njinga.
Njinga é um misto de Pocahontas e Braveheart onde os portugueses são o inimigo, num filme amador e conformista, mas que representa bem a Angola destes anos.

Slumdog Millionaire - Danny Boyle - 2008

I get tea for people and...



Slumdog deixa-me sentimentos contraditórios.
Danny Boyle introduz muitos dos paradigmas de Hollywood e de Bollywood que, constituindo grande parte da essência do filme, me afastam emocionalmente.
O filme tem no entanto componentes de sonho e de realidade que ultrapassam os momentos kitsch, e o transformam num momento épico.
Boyle é um misto de talento e falta de consistência.

The Beach - Danny Boyle - 2000

And me? I still believe in paradise.



Danny Boyle desilude depois de Shallow Grave e Trainspotting, apesar do culto que o filme gerou.
A introdução inicial, antes da viagem para a praia, promete e mostra algum do talento de Boyle, mas tudo se acaba por perder num argumento sem força e na desinspiração do realizador.
The Beach é uma versão pretensiosa da história de Lord of the Flies.

Pan’s Labyrinth - Guillermo del Toro - 2006

Hi! Are you a fairy?



Fadas e monstros ao gosto de del Toro, numa versão de Alice in Wonderland em género terror.
Guillermo del Toro mostra a sua qualidade e o seu universo peculiar mas, como o restante da sua obra demonstra, está muito distante do que eu procuro no cinema.
Não fosse o foco na fantasia e del Toro tinha no argumento potencial para algo mais revelador.
Apesar de alguma falta de empatia El Laberinto del Fauno é digno de elogio.

Le Grand Chemin - Jean-Loup Hubert - 1987

I can see your civelle.



Um filme que contem muitos dos elementos que associamos à infância.
Gosto particularmente da Martine, e das memórias que me desperta.
Hubert consegue dar sentido a todas as personagens, mas o filme vale sobretudo pela capacidade de nos fazer voltar às nossas memórias.

Boys Don't Cry - Kimberly Peirce - 1999


Where... where do I seem like I'm from?



Anterior à moda dos Gender Fluid, Boys Don't Cry era um projecto difícil.
Kimberly Peirce consegue equilibrio suportada por duas boas actrizes.
Acabei por sentir mais interesse no retrato do sub-mundo americano do que na temática principal.
Pierce equilibrada mas sem chama.

Rose Hobart - Joseph Cornell - 1936

He stole it from my subconscious - Salvador Dali



Rose Hobart era uma actriz de East of Borneo.
Joseph Cornell era um artista plástico, meio eremita.
Cornell, fascinado pela actriz, fez uma colagem de imagens, em azul, com samba e a velocidade de um filme mudo.
O resultado é estranhamente fascinante.

Gerald McBoing Boing - Robert Cannon - 1951

Our boy can't speak words! He goes boing-boing instead!



Permanece curioso mas não sou de facto um apaixonado da animação.

La Joie de Vivre - Hector Hoppin, Anthony Gross - 1934
















 
 
 
Uma animação com o modernismo dos anos 30 parisienses.

The Mummy - Karl Freund - 1932

My love has lasted longer than the temples of our gods.



A versão egípcia de Drácula ou Frankenstein com o encanto dos filmes de terror dos anos 30.
A versão mais recente de The Mummy nada acrescenta nem apaga as memórias de Boris Karloff.

La Grande Illusion - Jean Renoir - 1937

May the earth lie gently on our gallant enemy.



Um dos grandes filmes anti-guerra, embora menos poético do que esperava.
A WWI como último fôlego de uma aristocracia decadente e a grande ilusão de que esta seria a última grande guerra.
Von Stroheim fantástico como habitualmente.

Une Partie de Campagne - Jean Renoir - 1936

-You're Rodolphe
-But now l feel more like Romeo



Um pequeno filme, incompleto, inocente, que mostra um Renoir impressionista.
Um baloiço, uma tempestade, lágrimas.
Não muito relevante, apenas um poema em forma de cinema.

Once Upon a Time in the West - Sergio Leone - 1966

- ...looks like we're shy one horse.
- You brought two too many.



Mítico.
A cena inicial na estação é um hino ao cinema.
Sergio Leone, mestre no ritmo e no detalhe, foi o realizador que melhor explorou o western cinematograficamente.

Unforgiven - Clint Eastwood - 1992

And there was nothing on the marker to explain to Mrs. Feathers why her only daughter had married a known thief and murderer, a man of notoriously vicious and intemperate disposition.



Não consigo acompanhar o fascínio de muitos por Unforgiven.
Apesar de gostar da transformação de Eastwood num anti-heroi e da ideia de um western sem a habitual dualidade do bem e do mal, falta ao filme uma estética que marque também a ruptura.
Eastwood destaca-se aqui mais como actor do que enquanto realizador.

The Outlaw Josey Wales - Clint Eastwood - 1976

I didn't surrender, but they took my horse and made him surrender.
They have him pulling a wagon up in Kansas I bet.



Don't piss down my back and tell me it's raining.
A história de Josey é escrita por um segregacionista, ex-Ku Klux Klan, que parece querer voltar a declarar guerra à União.
Eastwood ainda no seus primeiros passos enquanto realizador faz um western competente mas conservador. 
Um manifesto do que viria a ser a sua obra.

Le Cercle Rouge - Jean-Pierre Melville - 1970

All men are guilty. They're born innocent, but it doesn't last.



Men who are destined to meet will eventually meet.
Mais um heist movie de Melville (a cena do assalto demora 25m, sem qualquer palavra) mas sinto dificuldade em criar empatia.
Certamente algo me escapou.

Bob le Flambeur - Jean-Pierre Melville - 1955

I saw an old woman on her knees, scrubbing away, as she always had. 
That's how I recognised her.



Ocean's Eleven mas em bom.
Melville faz um noir adulterado, em que Bob prepara a reforma na solidão de uma vida em que a sorte, o seu único amor, o abandonou.
Mellville ainda me parece estranho, uma frieza que lembra Kubrick, mas que deixa sensações duradouras.
Bob le Flambeur converteu-me a Melville.

Le Silence de la Mer - Jean-Pierre Melville - 1947

Je vous souhaite une bonne nuit.



Melville sai das fileiras da resistência francesa para realizar o seu primeiro filme.
Quase todo o filme é um monólogo de uma única personagem, Melville parece que vai secumbir à inexperiência mas consegue com um equilibrio notável manter o filme vivo até ao fim.
Já passaram sete décadas do fim da segunda grande guerra, o impacto é diferente, mas as guerras de hoje não são muito diferentes das anteriores.

Jules et Jim - François Truffaut - 1961

We played with life and lost.



She’s an apparition, not a woman for one man.
Jules et Jim baseia-se na obra semi-autobiográfica de Roché (publicou o primeiro livro aos 74 anos).
Apesar dos acontecimentos reportarem aos tempos da WWI parece antecipar os anos 60 que despertavam por esta altura.
O amor obsessivo e o conceito de amizade, Jeanne Moreau personifica a mulher que nos atrai e nos condena.

Tirez sur le pianiste - François Truffaut - 1960

If someone knocks, assume it's a murderer. If it's just a robber, you'll be happy.



Pulp Fiction francesa, um noir cómico e improvisado, um retrato nostálgico da vida de um pianista azarado.
Talvez o filme mais Nouvelle Vague de Truffaut.
Gosto.

The Maltese Falcon - John Huston - 1941

The stuff that dreams are made of...



Um filme com lugar especial na história do cinema, o primeiro filme de Huston e o primeiro Noir.
Low-key, câmara a mostrar o tecto, câmara por cima do ombro de Bogart, humor negro (People lose teeth talking like that.), um take de 7 minutos, no climax uma cena de 20 minutos com as personagens principais.
Foi o primeiro noir, longe dos melhores do género, mas verdadeiramente inspirador.

The African Queen - John Huston - 1951

- What were you doing on the lake? We were boating.
- Last night? In such weather?
- We were not responsible for the weather.



Saltando de incidente em incidente por vezes parece ter perdido o encanto de outros tempos.
John Huston (apesar das ou pelas pielas que apanhava com Bogart) consegue extrair um romance como já não existe no cinema, e em que já ninguém acredita.
O poder do amor, do sonho comum, do sacrifício, da coragem e do medo que só amor nos pode proporcionar.
Talvez um grande amor só consiga nascer em circunstância extraordinárias:
- I pronounce you man and wife - proceed with the execution.

Black Swan - Darren Aronofsky - 2010

The only person standing in your way is you.



Depois de transformar o wrestling em poesia Aronofsky tranforma o ballet em terror.
Black Swan, como The Wrestler, aborda múltiplos temas em torno de uma linha de argumento.
Mestria no argumento e na imagem, exploração dos limites do espectador, os filme de Aronofsky são incisivos e poderosos.
Black Swan é um filme perfeito.

The Wrestler - Darren Aronofsky - 2008

The only place I get hurt is out there.



Aronofsky usa a violência como forma de condicionar o espectador.
O início de The Wrestler é difícil, pelo ridículo do wrestling e pela excessiva violência, mas acabamos por ser recompensados pela coerência e pela justificada angústia do personagem.
Sente-se o poder do filme e incrivelmente consegui sentir-me na pele de um lutador colorido.
Aronofsky é um realizador singular.

Unfaithfully Yours - Preston Sturges - 1948

A thousand poets dreamed a thousand years, then you were born, my love.



Os diálogos continuam exemplares mas Unfaithfully Yours tem demasiado slapstick para o meu gosto.

The Palm Beach Story - Preston Sturges - 1942

If you get to know too much about them you'd never marry them.



A leveza e méstria do humor de Preston Sturges no seu melhor, mas a sombra do conservadorismo da época é difícil de suportar.