The Crowd - King Vidor - 1928

The crowd laughs with you always... but it will cry with you for only a day.

 
 



 
Na era do cinema mudo, apesar da importância da produção americana, o melhor cinema vinha da europa.
Griffith é importante na afirmação do cinema enquanto arte de contar histórias e as comédias de Chaplin e Keaton são geniais, mas o melhor cinema tinha a autoria de nomes como Murnau, Sjöstrom ou Eisenstein.
The Crowd é um filme que vive do quotidiano, de pequenos momentos de ternura e paixão, de tragédias e humilhações, de sonhos e desilusões. 
O filme da vida de todos nós.
The Crowd é o melhor filme americano do cinema mudo.

Make Way for Tomorrow - Leo McCarey - 1937

It's been very nice knowing you, Miss Breckenridge.



O grande filme de Leo McCarey que inspirou o argumento de Tokyo Story de Ozu.
Make Way for Tomorrow é uma história de verdadeiro amor e de ingratidão mas sobretudo um resumo do sentido da vida.
Um filme completamente oposto a todo o cinema da sua época, filmado com uma humanidade e realismo que pareciam não terem lugar no escapismo do cinema americano.
Triste e comovente, continua a ser um dos meus filmes preferidos da self-proclaimed Era de Ouro de Hollywood.

Monsieur Verdoux - Charles Chaplin - 1947

- It's the approach of death that terrifies.
- I suppose, if the unborn knew of the approach of life, they'd be just as terrified.









Monsieur Verdoux é importante na afirmação da comédia negra.
Chaplin não tem a genialidade no sonoro que apresentava na sua antiga encarnação e mesmo enquanto actor neste filme é melhor na expressão corporal que na comunicação verbal.
Tal como em The Great Dictator opta por ser explicitamente moralista, mesmo se parece defensor de um certo relativismo moral, traindo a natureza da arte.
A necessidade de explicar qual a conclusão que devemos retirar do enredo encerra a dúvida sobre a eficácia do filme.
Apesar das inúmeras imperfeições Chaplin consegue vários momentos sublimes.

Dirty Harry - Don Siegel - 1971

Do You Feel Lucky, Punk?



O primeiro filme dos cinco de Dirty Harry é de facto péssimo.
O único mérito de Dirty Harry é representar muito dos anos 70, na sujidade das imagens e da linguagem, no racismo e na violência.
A personagem de Clint Eastwood é algo similar à que representou nos western spaghetti. Dirty Harry talvez tivesse algum mérito se não tivesse deixado como herdeiros muito mau cinema e má televisão.
Fundamental para compreender uma época, mas detestável.

Meet Me in St Louis - Vincente Minnelli - 1944

- Money. I hate, loathe, despise and abominate money.
- You also spend it.





Típico filme de adolescência nos anos 40, feito de sonhos e de esperanças.
O encanto está datado, as gerações seguintes transformariam este universo de meninas casadoiras, inocentes e puras, em busca de um príncipe encantado.

The Band Wagon - Vincente Minnelli - 1953

Scared as a turkey in November.





Apesar da audácia estética na sequência final nota-se uma certa amargura. 
O argumento, a ausência de sorrisos e de romance, fazem de The Band Wagon uma homenagem e uma despedida.
The Band Wagon marca o fim de uma era, para Fred Astaire e para os musicais.

One Hundred and One Dalmatians - Hamilton Luske, Wolfgang Reitherman, Clyde Geronimi - 1961



A evolução do traço da animação da Disney face aos anos da Branca de Neve e do Pinocchio é evidente, agora é mais adulta mas falta-lhe o irrealismo sonhador do seu criador.
Mas... um filme com cachorrinhos nunca pode falhar.

Dumbo - Ben Sharpsteen - 1941



O trajecto de Dumbo desde o bullying à redenção, passando pelo alcoolismo.
Pinocchio também fuma charuto e bebe cerveja, outros tempos...
O filme menos brilhante dos anos dourados de Walt Disney.

Fantasia - Ben Sharpsteen - 1940



Encontro entre a música e a animação.
Alguns segmentos são melhores que outros mas o conjunto não me entusiasma.

Pinocchio - Ben Sharpsteen, Hamilton Luske - 1940

When You Wish Upon a Star.



Pinocchio é o meu filme preferido da Disney, gosto da metáfora, do lado aterrador da história e do magnífico traço com que são construídas as personagens.

Snow White and the Seven Dwarfs - David Hand - 1937

Once upon a time…



Pioneira das longas metragens de animação, a história da Branca de Neve dos irmãos Grimm permanece encantadora.
Os sete anões e os coelhos fofinhos dão côr à infatilidade da princesa e do seu príncipe.

Gone With the Wind - Victor Fleming - 1939

He looks as if… as if he knows what I look like without my shimmy.





"There was a land of cavaliers and cotton fields..." ... and SLAVES!
Sempre que leio as primeiras palavras de Gone With the Wind fico determinado a odiar o filme.
Sempre o consegui, até poucos dias atrás...
A glorificação do Old South tem 150 anos, ainda se manifesta, e nesse mundo os escravos são seres adoráveis excepto quando se libertam, é assim que o filme os apresenta.
Como em qualquer grande produção aqui não se correm riscos artisticos, tudo é perfeito mas não há lugar para surpresas.
Sempre achei as coincidências exageradas e as personalidades das personagens pouco verosímeis.
Scarlett é corajosa, egoísta e orgulhosa. Rhett é demasiado flutuante, Ashley demasiado apagado para tantas paixões e Melanie de uma bondade irreal.
Os anos mostraram-me que não é impossível tantas coincidências.
Talvez Scarlett seja apenas insegura, que sofra de falta de amor, ou apenas incapaz de o reconhecer. Rhett é reactivo, apenas se encontra com ele próprio com a paternidade. Ashley representa o homem derrotado e sim, acredito que existem Melanies por aí, apenas são difíceis de encontrar.
O tempo ajuda a aceitar as personagens, mas Gone With the Wind tem demasiado defeitos para ser a obra prima da Era de Ouro de Hollywood.
Triste o soldado que nao leva para a guerra a memória de um beijo.

She Done Him Wrong - Lowell Sherman - 1933

- Listen, when women go wrong, men go right after them.

- Haven't you ever met a man that could make you happy?
- Sure, lots of times.

- I am delighted. I have heard so much about you.
- Yeah, but you can't prove it.

- Guess I'm taking your time.
- Wadda you suppose m' time's for?



Antiga estrela do vaudeville com inúmeros conflitos com instituições como a Society for the Suppression of Vice, Mae West é uma figura incontornável no início de século.
She Done Him Wrong tem apenas uma hora, pouco cinema e um argumento teatral, mas as one-liners escritas pela própria Mae West são absurdamente geniais. Apenas uma das suas insinuações poderia justificar o código Hays.
Hollywood inocente e selvagem morreu aqui, a vida saiu do cinema e passou para os bastidores.

Top Hat - Mark Sandrich - 1935

In dealing with a girl or horse, one just lets nature take its course.



Top Hat repete sem pudor a fórmula de The Gay Divorcee, reconhecendo que tudo neste filme é banal excepto a dança e os actores.
O maior sucesso da dupla Fred & Ginger confunde-se com todos os outros filmes que fizeram juntos.
Filmes sem identidade mas um nicho no cinema que encerra boas memórias.

The Gay Divorcee - Mark Sandrich - 1934

Be feminine and sweet. If you can blend the two.





Mesmo para quem não gosta de dança, ver Fred & Ginger dançar Night and Day tem o seu encanto.

Woman of the Year - George Stevens - 1942

Success is no fun unless you share it with someone.



Ainda há quem pense que a ideia das mulheres independentes é um conceito moderno.
Hepburn meets Tracy, numa comédia feita à medida da vida e personalidade dos actores.
Interessante mas desapaixonado.

Adam’s Rib - George Cukor - 1949

- Hello Pinky.
- Hello, Pinkie.



Sexto filme da parceria entre Hepburn e Spencer Tracy.
Comédia suave com o feminismo como tema e um raro vislumbre de quotidiano.
A dinâmica entre os actores é deliciosa.

The Philadelphia Story - George Cukor - 1940

I don't want to be worshipped. I want to be loved.



The Philadelphia Story é apenas mais uma comedy of remarriage, fórmula popular nos anos do código Hays por razões óbvias.
George Cukor é magistral a criar sinfonias em celuloide, pelo que compreendo a quase unânime admiração por este filme, mas a magia desvanece perante a constatação da repetição contínua das mesmas fórmulas.

Holiday - George Cukor - 1938


l believe you had something you wanted to do, Linda?
Me, Father? l can't remember a thing.





Entre todas as comédias da era dourada de Hollywood esta será aquela com que sinto mais empatia.
As personagens de Grant e Hepburn são maravilhosas fantasias.
Como dizia um amigo: "This is life as it should be."

The Awful Truth - Leo McCarey - 1937

I told him the truth, and strange enough, he believed me.



Exemplo perfeito de uma screwball comedy e a afirmação definitiva da persona de Cary Grant no écran.
Não gosto particularmente deste género de comédia mas reconheço os méritos de The Awful Truth, e da relevância cultural das screwball comedies.

Arsenic and Old Lace - Frank Capra - 1944

Another Roosevelt? Oh, dear, dear



Humor negro, mesclando as habituais rotinas das comédias da época com os filmes de terror dos anos 30.
O exagero de Cary Grant não resulta bem, o texto é sofrível e apenas as tias velhotas geram alguns sorrisos.
As referências estéticas a Boris Karloff e sobretudo a sublime presença de Peter Lorre ajudam a dar algum encanto ao filme.
Capra não conseguiu transformar a peça de teatro em filme.

Christmas in July - Preston Sturges - 1940

Oh, they didn't mean any harm.



Um jovem casalinho cheio de sonhos.
Muita inocência e pouco humor.

Alice Adams - George Stevens - 1935

A penny for your thoughts.



A curiosa interpretação de Katharine Hepburn não resiste a um argumento infantil em torno do eterno dilema da diferença de classes.
É raro ver Hepburn a tentar parecer fofinha, esse é o único mérito de Alice Adams.

Stage Door - Gregory la Cava - 1937

If you ever need a good pallbearer, I’m at your service.



Captura exemplar do entusiasmo e da tragédia que acompanham um grupo de aspirantes a actrizes.
Alguns momentos brilhantes convivem com algum excesso de histeria.
Excelente exemplo de ensemble cast num olhar relevante de Hollywood sobre si próprio.

The Talk of the Town - George Stevens - 1942

I gave her a character and charms she never possessed.
I played to the well-known weakness of every woman alive...
...and perjured my soul for a thousand years to come.



Tentativa de dissertar sobre a Justiça de forma moralista, com a ajuda de um pouco de humor e um triângulo amoroso.
Esquecível.

We Live in Public - Ondi Timoner - 2009

Lions and tigers used to be kings of the jungle and then one day they wound up in zoos.
I suspect we're on the same track.





Josh Harris foi um visionário, levando à prática o conceito de reality TV e inventando o youtuber antes do youtube.
Em tempos vencedor, acabou derrotado pela explosão da bolha das dot.com em 2000.
Harris mostrou-nos as vantagens e ameaças da internet muito antes do tempo, mas parece que pouco aprendemos com ele.
O próprio documentário de Timoner não serviu de alerta.

Man of Aran - Robert J.Flaherty - 1934




O prospector dos tempos de Nanook tinha dado origem a um realizador capaz.
As dificuldades do Homem de Aran são equivalentes às de Nanook, sendo o gelo e o frio subtituidos pelo isolamente e o pelo mar.
A docuficção deve muito a Flaherty e a este filme dominado pelas ondas do mar a ameaçar a grandiosidade das falésias.

Tabu - Friedrich W.Murnau - 1931

The love you have given me, I will keep to the last beat of my heart. 
Across the great waters, I will come to you in your dreams when the moon spreads its path on the sea.



O último filme de Murnau parece mais uma obra de Robert J. Flaherty, que colaborou residualmente neste filme.
Em 1931 Bora Bora era ainda mais exótico que actualmente, e mesmo na ausência de côr é a principal personagem do filme a par da beleza de Anne Chevalier.
Amor ao estilo de Hollywood em pleno Pacífico.
A banalidade também teve espaço na obra de Murnau.

Faust - Friedrich W.Murnau - 1926

Why do you seek death? You have not yet lived!

 
 
Uma das grandes obras da literatura alemã vista pelo olhar do mais brilhante realizador do cinema mudo.
Apesar da qualidade evidente está bastante datado.

Ménilmontant - Dimitri Kirsanoff - 1926






Um filme poético que nos lembra que as palavras são muitas vezes supérfulas.
A magia do cinema é mais eficaz se recorrer apenas a uma lágrima ou ao toque de uma mão para exprimir o que as palavras nem sempre conseguem.
Ménilmontant demonstra a eficácia do impressionismo no cinema, conjugado com sensualidade e emoção.

People on Sunday - Edgar G.Ulmer, Robert Siodmak - 1929





Menschen am Sonntag reune um conjunto de jovens brilhantes que seriam figuras centrais no cinema de Hollywood nas décadas seguintes.
É impressionante como a aparente simplicidade produz um filme maravilhoso.
A Alemanha entre as grandes guerras não é ameaçadora, e a natureza humana continua imutável.