Harold and Maude - Hal Ashby - 1971

A lot of people enjoy being dead. But they’re not dead, really. They’re just backing away from life. 
Reach out. Take a chance. Get hurt even. But play as well as you can.





What gives you that... special satisfaction?
...I go to funerals.
Óbvio inspirador de Wes Anderson, Hall Ashby foi uma dos realizadores fundamentais do New Hollywood, um hippie com uma estranha história de vida.
Harold and Maude é uma comédia romântica com humor negro que se transforma num dos melhores filmes do seu tempo pela sensibilidade única de um realizador entretanto esquecido.
I haven't lived. I've died a few times.

Paper Moon - Peter Bogdanovich - 1973

I want my two hundred dollars!



Um road movie que dá mais atenção às personagens que ao enredo.
Tatum O'Neal é fantástica no papel de criança com tiques de esperteza adulta.
A grande depressão, a infância, a paternidade, a sobrevivência através do humor e o talento de Bogdanovich.

Lone Star - John Sayles - 1996

This stretch of road runs between nowhere and not much else.



Crime e paixão são pretextos para retratar a vida das pequenas comunidades multiculturais da América profunda.
O filme faz sentido mas engloba demasiadas banalidades e perde acutilância.

Zootopia - Byron Howard , Rich Moore - 2016

Everyone comes to Zootopia, thinking they could be anything they want.



A quantidade de filmes de animação que se produzem actualmente geram sobretudo banalidade.
Aqui a terceira dimensão é inútil e o argumento é copiado de um qualquer filme policial de quarta categoria.
O facilitismo dos autores não retira algum prazer, sobretudo quando ao nosso lado se descobre um mundo novo.
" Ti Pê, tenho medo! Posso olhar para o lado? "

Life of Pi - Ang Lee - 2012

A mouthful of water will not harm you, but panic will.





A religião enquanto metáfora.
Visualmente espantoso mas fraco nos diálogos e carente de vocação poética.

Back to the Future III - Robert Zemeckis - 1990

Hey, Doc! Where you goin' now? Back to the future?



Sofre do eterno mal das sequelas.
Sem novidade, sem personalidade própria e sem nada acrescentar.

Back to the Future II - Robert Zemeckis - 1989

The time-traveling is just too dangerous. Better that I devote myself to study the other great mystery of the universe: women!



O futuro já passou!
Um dos raros casos em que a sequela está à altura da sua origem.
O primeiro filme teve mais impacto mas aqui o argumento rebuscado compensa a repetição do conceito.

Back to the Future I - Robert Zemeckis - 1985

This is heavy.



Um dos filmes que define os anos 80.
Humor e excenticidade.
Continuo a achar piada mas já na altura sentia uma leveza que me fazia pensar no cinema como uma arte menor.

Star Wars: Return of the Jedi - Richard Marquand - 1983

You don't know the power of the Dark Side.



Star Wars num único filme, sem episódios, era cinema.
Return of the Jedi mata Darth Vader mas nada mais acrescenta.
Não gosto da repetição de fórmulas, dos enredos em círculo e não tenciono voltar a este mundo.

Star Wars: The Empire Strikes Back - Irwin Kershner - 1980


I am your father.



Para muitos o melhor filme do franchise de Star Wars.
The Empire Strikes Back introduz o fantástico Yoda e revela a origem de Darth Vader.
A sensação de saga começa a ser evidente e o entusiasmo a desaparecer com ela.

Star Wars: A New Hope - George Lucas - 1977

May the Force be with you.



As personagens e todo o universo de Star Wars são parte fundamental do imaginário de quem cresceu nos anos 80.
Genial o "Que Deus te acompanhe." em versão galática.
O lado bom do cinema pop.

The Black Swan - Henry King - 1942

I always sample a bottle of wine before I buy it. 
Let's have a sip, see if you're worth taking along.



Tyrone Power foi um dos heróis da matinés dos anos 40.
Apesar das memórias intensas de uma qualquer tarde de domingo na infância The Black Swan é apenas mais uma repetição duma fórmula de sucesso.

The Sea Hawk - Michael Curtiz - 1940

I thought you were like a statue.
Beautiful but cold.



O meu filme de piratas preferido, mas sei que vale sobretudo pelas memórias de infância.
But are all Spanish songs so sad, my child?
Only those that speak of love, Your Grace.

Captain Blood - Michael Curtiz - 1935

- We're sinking! What should we do?
- Do? We'll board a ship that's not sinking!



Os filmes Cowboys e Piratas eram a atracção das tardes de domingo na minha infância.
Os filmes de Capa-e-Espada (swashbuckling) ficaram célebres nos anos 20 com a ajuda de Douglas Fairbanks.
Captain Blood é um remake da versão de 1924 que relança o género na era do som e lhe dá a sua nova estrela, Errol Flynn.

F for Fake - Orson Welles - 1973

I started at the top and have been working my way down ever since.



Art, he said, is a lie that makes us realize the truth.
O último contributo de Orson Welles mostra que o génio ainda está presente.
A montagem, a declamação do texto, a composição das imagens, tudo é brilhante.
A fronteira entre o genuino e o falso é ténue e o narrador não é de confiança.
Welles medita sobre a validade dos opinion makers e dos intermediários da arte que muito prejudicaram a sua obra. 
Memórias: o texto da Guerra dos Mundos é diferente do original.
Do you think I should confess? To what? Committing masterpieces?

The Stranger - Orson Welles - 1946

Did you remember to keep your knees together?



"And since most of the good stuff in my movies doesn't advance the story..."
Welles ficou sem o controlo do argumento e da montagem de The Stranger.
O argumento é demasiado mau, ridículo por vezes, e a montagem terá tentado reduzir o filme a um thriller banal.
O filme sobrevive à mediania pela mestria de Welles, a forma como as imagens aparecem por trás das janelas bastam para que o filme respire melhor que o usual.
As sombras, os ângulos e a profundidade fazem de The Stranger um filme muito melhor do que a sua cotação reconhece.

Les Maitres fous - Jean Rouch - 1955




Jean Rouch foi um relevante realizador etnográfico, mas este Les Maitres fous é detestável.
Não conheço o fenómeno Hauka mas a África que conheço diria que Rouch passou um dia entre liambados.

Song of Ceylon - Basil Wright - 1934




Documentário colonial sem ambições artísticas.
Memórias: aula de dança e dança 'avant-garde' final.
Basil Wright, com talento na montagem, foi uma figura importante na afirmação do cinema documental. 
Actualmente, apenas algumas curiosidades etnográficas justificam uma visita.

A Tale of Tales - Yuriy Norshteyn - 1979

The Little Grey Wolf Will Come



Assombroso estéticamente, cruzamento entre a pintura e o cinema de animação.
A narrativa insere-se na ideia de fluxo de memórias que neste caso não acrescenta valor.
Norshteyn merece futuros reencontros.

Mothlight - Stan Brakhage - 1963



Sem câmara, com asas e outros elementos, Stan Brakhage constroi um universo estético interessante mas sem grande valor para o cinema.

Waltzes from Vienna - Alfred Hitchcock - 1934

The Blue Danube



Um musical de Hitchcock!!
O filme basea-se nos conflitos de Johann Strauss II com seu pai.
Apesar de alguns bons apontamentos é um filme menor, mas talvez tenha contribuido para o papel essencial que Hitchcock daria à música nos seus futuros filmes.

Juno and the Paycock - Alfred Hitchcock - 1929

A charming funeral!



Juno and the Paycock é uma célebre peça de teatro irlandesa transposta para cinema por Hitchcock.
O écran está escuro, ouve-se uma voz e só depois aparece a imagem, acaba o cinema e começa o teatro.
A única memória a reter é a competência dos actores num enredo em que o destaque é a repetição de uma morte, primeiro em comédia, depois em tragédia.

The Seasons - Artavazd Peleshian - 1975



Um documentário poético vindo da Arménia
O criador da 'distance montage', seja o que isso fôr, é uma surpresa inesperada.
A realidade das comunidades pastoricias em terras distantes dá origem a um poema sobre a comunhão entre o Homem e a Natureza, a passagem do tempo e a dependência do Homem dos elementos.
Talvez não sejam estes os temas, as sensações poéticas nem sempre se conseguem traduzir, mas este pequeno filme mostra bem o que pode ser o cinema.

Outer Space - Peter Tscherkassky - 1999

Outer Space - Peter Tscherkassky - 1999



É evidente a influência de Peter Kubelka no também austríaco Peter Tscherkassky.
O trabalho com a luz, o ritmo, a arritmia e o som evolui com a composição do frame.
Utilizando imagens de arquivo Outer Space constroi a ambição do terror e justifica o classificação de avant-garde.

Why Worry? - Harold Lloyd - 1923

Why didn't you tell me I love you?


Lloyd e um gigante... e nem uma gargalhada!
A realização de Newmayer e Sam Taylor é rudimentar mas a verdade é que a personagem de Harold Lloyd raramente funcionou e quanto mais filmes vejo, mais se aproxima de Laurel & Hardy, o que não é bom.
A sátira ao cinema mainstream da época já não é evidente, o que poderá justificar a desilusão.

Patriotism - Yukio Mishima - 1966

The Rite of Love and Death



É difícili pensar em cinema quando alguém filma a encenação da sua própria morte por seppuku (Hara-Kiri).
O único filme de um dos mais célebres escritores japoneses do século XX ganha um sentido assustador depois do seu suicídio após um golpe de estado falhado.
Mishima vê beleza e amor no sexo e no suicídio.
seppukuseppuko
seppuku

Unsere Afrikareise - Peter Kubelka - 1966


















 


Our Trip to Africa é um documentário sobre uma viagem de caça a África.
As técnicas de structural filming foram úteis para Kubelka revelar de forma subtil a sua visão sobre o evento.
A edição aparentemente aleatória, sem detalhe ou explicação, retira a componente narrativa e impossibilita a construção de personagens individuais.
O som e as imagens estão aparentemente desconexas, mas Kubelka insere gargalhadas na banda sonora e estas denúnciam a repulsa pela forma como estes europeus olham os africanos e a estupidez e crueldade da caça.
Por vezes os experimentalistas têm oportunidade de comprovarem, eles próprios, as vantagens de explorar as fronteiras da arte.

Arnulf Rainer - Peter Kubelka - 1960



Um dos exemplos de flicker film como The Flicker de Tony Conrad e N:O:T:H:I:N:G de Paul Sharits.
Insere-se no conjunto de structural films dos anos 60 que reduzem o cinema à sua gramática essencial: luz, som e frequência.
Arnulf Rainer funciona filosoficamente e como experiência de forma similar a 4′33″ de John Cage em 1952. 
Provoca e desperta-nos mesmo se a resposta a estes estimulos não é evidente.

Starship Troopers - Paul Verhoeven - 1997

Now have fun. That's an order!



A dúvida é se o filme pode ser visto de forma séria.
Como série B dos anos 50 tem alguma piada, como sátira ao fascismo é absurdo.
Qualquer que seja a abordagem, o filme é sempre mau e Paul Verhoeven definitivamente um realizador de série B.

Basic Instinct - Paul Verhoeven - 1992

- What did Manny Vasquez call you?
- "Bitch" mostly, but he meant it affectionately.



Um abrir de pernas que não se esquece.
Não se esquece a sensualidade de Sharon Stone mas são os diálogos, perigosos e provocantes, que dão sentido a tudo o que acontece em torno das palavras.
Paul Verhoeven teve sorte em ter ficado ligado a Instinto Fatal.

Turks Fruit - Paul Verhoeven - 1973

''I love you, too'', she said and those words contained all the tenderness in the world.



O maior sucesso do cinema holandês é um "Love Story" hard core.
Baseado num best-seller local, conta com a irreverência Paul Verhoeven para juntar pornografia e mau gosto a uma paixão com sentido.
Podia ser um grande filme, reconheço muitas das sensações presentes, mas o realizador parece estar mais preocupado com a sua exuberância.