It's Such a Beautiful Day - Don Hertzfeldt - 2012

The guy next to him at the bus stop had the head of a cow, but Bill pretended not to notice.



Absolutamente genial.
Hertzfeldt consegue oferecer ao humor negro uma estética com a audácia que o texto exige. 
Perfeita a simbiose entre as colagens e a simplicidade dos bonecos.
Take a walk on the wild side.

Abre los Ojos - Alejandro Aménabar - 1997

Me gusta el suelo. Es lo único que parece real.



Um bom argumento realizado sem grande ambição e sem rebeldia.

The Last of England - Derek Jarman - 1987

Tomorrow's been cancelled owing to lack of interest.



Reconheço o mérito de Jarman na forma como consegue compactar muitos dos elementos que marcaram a transformação social do Reino Unido na sua geração.
The Last of England tem a rebeldia da contracultura mas não o considero particularmente brilhante.

Never Let Me Go - Mark Womanek - 2010

Maybe none of us really understand what we've lived through, or feel we've had enough time.



O desafio parece ser uma meditação sobre a forma como lidamos com a nossa mortalidade.
Apesar dos méritos poéticos o filme acaba por ceder à tentação da simplicidade do triangulo amoroso entre os adolescentes.
Fica a sensação que não houve coragem para enfrentar as questões que a história suscita.

Dark City - Alex Proyas - 1998

It seems you have discovered your unpleasant nature.



O ambiente noir da cidade tem algum encanto mas a estética é pouco original e o argumento desenvolve-se sem nunca surpreender.

Watchmen - Zach Snyder - 2009

Every day, the future looks a little bit darker. But the past... even the grimy parts of it... keep on getting brighter.



Através da peculiar selecção de canções Watcmen tenta encontrar a poesia que lhe falta em tudo mais.
A introdução é o melhor momento de um filme que não esconde que quer ser banal.
As Dark as it gets.

Her - Spike Jonze - 2013

Sometimes I think I have felt everything I'm ever gonna feel.





Não existe amor sem desejo mas a voz de Scarlett Johansson além de empatia gera esse desejo.
É possível um homem apaixonar-se por um OS sem corpo da mesma forma que um cego se pode apaixonar sem ver ou tocar no outro, basta ser capaz de sonhar.
O argumento de Spike Jonze demonstra sensibilidade e a sua realização supera as dificuldades de um diálogo constante com uma voz sem olhar.
Excepcional e significativo, um filme que justifica a ficção ciêntica para além da rotina da exploração do cosmos.
Um filme que as almas solitárias compreendem.
The past is just a story we tell ourselves.

The Martian - Ridley Scott - 2015

Who am I to talk about loneliness?



Hoje em dia o cinema consegue criar realidades alternativas com perfeição e aparente facilidade.
É um prazer ver o Wadi Rum transformado em Marte.
The Martian enquanto documentário ficcionado é excepcional mas lamenta-se que Ridley Scott tenha permitido o espectáculo degradante das palmas, das conferências de imprensa, de todos esses tiques que retiram magia ao cinema.

Looper - Rian Johnson - 2012

This is my life now. I earned it. You had yours already.



A ideia não é má mas quando o objectivo é fazer um filme de acção não se exploram as potencialidades do argumento.

Ex Machina - Alex Garland - 2015

To escape, she'd have to use self-awareness, imagination, manipulation, sexuality, empathy, and she did.
Now, if that isn't true AI, what the fuck is?



Gosto em particular da arquitectura e da envolvência da casa mas o filme acrescenta muito pouco à temática e não consegue gerar empatia.
Memórias: um pescoço a exprimir desejo.

Moon - Duncan Jones - 2009

I hope life on Earth is everything you remember it to be.



Moon é um filme humilde, que aplica os conceitos básicos da ficção científica e a clonagem para questionar o verdadeiro valor das nossas emoções.
Tecnicamente o filme demonstra que a simplicidade pode ser gratificante, mas Jones poderia ter aprofundado mais as suas ideias.

Children of Men - Alfonso Cuarón - 2006

I can't really remember when I last had any hope.



A capacidade técnica de Cuarón é bem evidente nos longos takes, na composição detalhada dos cenários e na dificuldade de muitas cenas.
Infelizmente não é suficiente para gerar paixão pelo seu trabalho.
Memórias: Mancha de sangue na câmara.

Donnie Darko - Richard Kelly - 2001

Some people are just born with tragedy in their blood.



Donnie Darko transformou-se num filme de culto adolescente.
A fantasia pode ajudar a lidar com as ansiedades em qualquer fase da vida mas Darko é demasiado superficial e demasiado infantil.

Run, Lola, Run - Tom Tykwer - 1998

Help me, Lola! I don't know what to do!



Em Perfume Tom Tykwer não conseguiu brilhar mas antes tinha feito um filme alucinante: Run, Lola, Run.
A montagem, a banda sonora (com Tykwer e Franka Potente), os Cartoons, o título composto por figurantes, as pausas...
Deliciosamente ousado.

Gattaca - Andrew Niccol - 1997

For someone who was never meant for this world, I must confess I'm suddenly having a hard time leaving it.



Um filme inevitável sobre o genoísmo.
A escrita de Andrew Nicol é visionária mas enquanto realizador, apesar do perfeccionismo, revela uma frieza que me afasta dos seus filmes.

Mars Attacks! - Tim Burton - 1996

I'm not a crook, I'm ambitious. There's a difference.





O humor visual de Tim Burton sobrepõe-se à trivialidade de todos os outros elementos do filme.

La cité des enfants perdus - Jean-Pierre Jeunet, Marc Caro - 1995

Who stole the child's dreams?





La cité des enfants perdus enquadra-se entre o grotesco de Delicatessen e o sonho de Amélie.
Visualmente assombroso, mas o argumento é confuso e o humor ténue.
Um filme para olhar apenas, sem tentar compreender e sem esperar por emoções.

Dune - David Lynch - 1984

The sleeper must awaken.



A weirdness de Lynch não salva um argumento confuso e alguma megalomania. 
Dune é uma imitação banal de Star Wars.

Twelve Monkeys - Terry Gilliam - 1995

I want the future to be unknown.



Twelve Monkeys é o filme que La Jetée não quis ser.
Apesar de todos os seus méritos, em particular o loop das viagens no tempo, o filme acaba por sucumbir à tentação de algumas banalidades estéticas e conceptuais que o impendem de alcançar todo o seu potencial.

Brazil - Terry Gilliam - 1985

- Is that one of your triplets?
- Yeah, probably.





Distopia com humor.
O sonho e a alienação como única solução para a derrota.
Um dos momentos mais brilhantes da década num improvável fruto de um género que frequentemente sente dificuldade em interagir com a realidade.
Memórias: o encanto do retro-future.

Videodrome - David Cronenberg - 1983

Television is reality, and reality is less than television.



A estética de David Cronenbrerg já se tinha estabelecido nos seus primeiros filmes e não evoluiu ao longo dos anos.
Se existe alguma tentativa de meditação sobre a influência da TV e do VHS nos anos 80 ela é superficial.
Um filme para quem gosta de Cronenberg, não para mim.

The Seed of Man - Marco Ferreri - 1969

So is it right to want a child?



Apocalipse sexual com tonalidade surrealista.
Marco Ferreri é também conhecido como “The Italian Master of Bad Taste”.
Estranho mas insonso.